Refinaria da Amazônia anuncia corte de R$ 0,35 no preço da gasolina para distribuidoras

A Refinaria da Amazônia (REAM) implementou uma redução significativa no preço do litro da gasolina comercializada para as distribuidoras no estado do Amazonas. A medida, válida a partir desta quarta-feira, 25 de março, representa uma queda de R$ 0,35 em comparação com os valores praticados anteriormente, conforme informações divulgadas no site da própria refinaria.

Essa nova precificação visa impactar o custo final do combustível, que tem sido um ponto de preocupação para os consumidores amazonenses. A redução pode representar um alívio, ainda que parcial, diante dos recentes aumentos observados nos postos de combustível da região.

A notícia surge em um momento de volatilidade nos preços dos combustíveis, com o consumidor final sentindo o peso das flutuações. A expectativa é que essa redução na fonte se traduza em valores mais acessíveis nas bombas, aliviando a pressão sobre o orçamento familiar. Conforme divulgado pela Refinaria da Amazônia, esta é a quinta vez em março que o preço da gasolina é reajustado para as distribuidoras.

Novos valores e modalidades de venda

Com a alteração, o preço do litro da gasolina na modalidade EXA (Entrega a Serviço da Compradora) cairá de R$ 4,32 para R$ 3,96. Já na modalidade LPA (Livre para o Armazém), o valor passará de R$ 4,32 para R$ 3,97 por litro. As duas modalidades diferem na responsabilidade pelo transporte, sendo que no modelo EXA a distribuidora assume os custos e riscos, enquanto no LPA a entrega é feita pela refinaria, com o frete já incluído.

Impacto no bolso do consumidor e análise econômica

Apesar da redução anunciada pela Refinaria da Amazônia, o economista Armando Clovis avalia que o alívio para o consumidor final pode ser insuficiente para mitigar os impactos de longo prazo do aumento dos combustíveis. Ele ressalta que, se a crise persistir, especialmente devido a fatores externos como conflitos internacionais, o consumidor amazonense continuará sendo afetado.

Clovis destaca a dependência do transporte coletivo no Amazonas, com cerca de 70% da população utilizando esse modal. O aumento dos combustíveis, consequentemente, pode levar a um aumento nas tarifas de transporte. A situação é ainda mais crítica no interior do estado, onde o transporte fluvial é predominante, elevando os custos de frete.

O economista sugere que o poder público adote políticas semelhantes às implementadas pelo governo federal em refinarias estatais. Uma possível solução seria a adoção de medidas como a redução ou isenção do ICMS sobre a gasolina, a fim de atenuar o impacto do aumento de preços para o consumidor.

Histórico recente de aumentos

Essa redução acontece em um cenário de aumentos frequentes para o consumidor final. Pela segunda vez em menos de um mês, o preço do litro da gasolina comum em Manaus subiu, passando de R$ 7,29 para R$ 7,59 nos principais postos da capital, a partir do último domingo, 22 de março. A versão aditivada também sofreu reajuste, saindo de R$ 7,49 para R$ 7,79.

Motoristas expressaram surpresa com a falta de aviso prévio e a curta janela entre os aumentos. Até o dia 6 de março, o litro da gasolina comum custava R$ 6,99. No dia 7 de março, ocorreu o primeiro aumento de R$ 0,30, valor que se manteve por apenas 15 dias antes do novo reajuste.

Preços médios na região Norte

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o preço médio da gasolina em Manaus já apresentava tendência de alta desde o início de janeiro de 2026. Na primeira semana do ano, o litro custava em média R$ 6,98. Naquele período, o ranking nacional era liderado por Rio Branco (AC) a R$ 7,24 e Porto Velho (RO) a R$ 7,09, com Manaus em terceiro lugar.

A capital amazonense também registrava um dos preços de etanol mais caros do país, com média de R$ 5,49, empatada com Porto Velho. Especialistas apontam que fatores como os altos custos logísticos na região, os preços nas refinarias e a incidência de impostos estaduais, como o ICMS, contribuem para os valores mais elevados na Região Norte.