Nova Unidade Prisional Militar em Manaus Recebe Policiais Transferidos Após Fechamento de Antigo Presídio

Policiais militares que estavam presos em Manaus foram transferidos nesta terça-feira (12) para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM). A nova estrutura está localizada na rodovia BR-174, na Zona Rural da capital, e marca o fim das atividades do antigo núcleo prisional da corporação, que ficava no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte.

A mudança foi confirmada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e faz parte de uma reorganização que visa centralizar custodiados militares em um local mais adequado. A UPPM/AM foi criada em um antigo prédio que antes abrigava a Penitenciária Feminina de Manaus (PFM).

A transferência de 70 detentos foi realizada durante a Operação Sentinela Maior, uma ação conjunta do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), Polícia Militar e Seap. A desativação do antigo núcleo prisional atende a uma recomendação do Ministério Público, que apontou sérios problemas estruturais e operacionais na unidade.

Desativação e Recomendações do MPAM

A decisão de fechar o antigo Núcleo Prisional da PM foi motivada por uma recomendação do Ministério Público do Amazonas. A promotoria identificou uma série de **problemas estruturais e operacionais** que comprometiam a segurança e a gestão da unidade. A operação para a desativação e transferência mobilizou mais de 100 agentes das forças de segurança pública.

A Seap informou que a nova UPPM/AM é uma estrutura especialmente criada para abrigar policiais militares custodiados no estado. O prédio utilizado, que antes era o Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), foi adaptado para receber os detentos.

Fuga e Investigações Anteriores

A transferência ocorre meses após um incidente grave na antiga unidade: a **fuga de 23 policiais militares** em 27 de fevereiro deste ano. Na ocasião, a ausência dos detentos foi descoberta durante uma vistoria de rotina. Embora a maioria tenha retornado espontaneamente na mesma noite ou no dia seguinte, o caso gerou uma intensa investigação.

O Ministério Público iniciou uma apuração sobre a fuga, que levou à prisão de dois policiais militares em março, durante a “Operação Sentinela”. Esses agentes estavam de serviço na guarda da unidade no dia da fuga e são suspeitos de terem **facilitado a saída dos presos**. O então responsável pelo Núcleo Prisional da PMAM, major Galeno Edmilson de Souza Jales, também foi preso nas investigações.

Consequências e Afastamento de Oficiais

Em decorrência das investigações, o governador Wilson Lima assinou um decreto que excluiu o major Galeno Edmilson de Souza Jales da Polícia Militar. Essa decisão foi baseada em entendimentos do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e pareceres da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

Após a fuga, a Polícia Militar informou que os agentes responsáveis pela guarda da unidade foram presos em flagrante e **afastados de suas funções**. A Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) da corporação abriu um procedimento administrativo para apurar todas as circunstâncias do ocorrido, buscando garantir a integridade do sistema prisional militar.