A decisão da Anvisa de suspender a produção e venda de produtos da marca Ypê pegou a política nacional de surpresa no último sábado (9). Em questão de horas, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro foram às redes sociais para contestar a medida, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não ficou de fora.

Em seus stories do Instagram, Michelle publicou uma foto exibindo um detergente da empresa — um gesto claro de apoio à fabricante. A mobilização começou depois que a agência reguladora justificou a suspensão citando um “desvio em procedimento de controle de qualidade”, o que poderia representar risco de contaminação por micro-organismos.

Sem apresentar provas, apoiadores do ex-presidente passaram a afirmar que a ação teria motivação política, sugerindo que o governo Lula estaria usando a Anvisa para perseguir empresários alinhados ao bolsonarismo. A suspeita foi alimentada pelo fato de que integrantes da família Beira — dona da Ypê — fizeram doações à campanha de Bolsonaro em 2022.

Histórico de embates com empresas
O movimento contra a Ypê lembra o que ocorreu com a Havaianas em dezembro do ano passado. Na ocasião, uma campanha publicitária com a atriz Fernanda Torres — que dizia preferir começar o ano “com os dois pés” em vez do tradicional “pé direito” — foi interpretada por bolsonaristas como uma provocação política.

O deputado Eduardo Bolsonaro chegou a filmar um vídeo jogando um par de chinelos da marca no lixo. “Achava que isso aqui era um símbolo nacional”, disparou. Já Nikolas Ferreira ironizou o slogan da empresa: “Havaianas, nem todo mundo vai usar agora.”

Com a Ypê, a estratégia se repete: transformar uma questão técnica da Anvisa em um novo capítulo da guerra cultural e política entre bolsonaristas e o governo federal.