Aumento do Combustível Provoca Pressão nos Preços das Passagens Fluviais no Amazonas

O encarecimento dos combustíveis no Amazonas já está impactando diretamente o transporte fluvial, crucial para a locomoção de pessoas e mercadorias em um estado com vasta extensão hidrográfica. Operadores que realizam travessias importantes, como a de Manaus para o Careiro, aguardam autorização para repassar o aumento nos custos aos passageiros, o que pode gerar um efeito cascata na economia local.

No estratégico Porto da Ceasa, na Zona Leste de Manaus, o cenário é de apreensão. O local é um ponto central para o fluxo de insumos, veículos e passageiros, e a alta no preço do diesel, que registrou um aumento de R$ 0,61 entre janeiro e março, saindo de R$ 7,18 para R$ 7,79, já eleva significativamente os custos operacionais das viagens.

Segundo relatos de trabalhadores do setor, a situação se tornou insustentável. Carlos André, com 15 anos de experiência no transporte hidroviário, destaca a dependência de autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para qualquer reajuste, o que prolonga a incerteza. Conforme informação divulgada por operadores do setor, uma viagem de ida e volta pode custar entre R$ 400 e R$ 450 apenas em combustível, sem que esses valores ainda tenham sido repassados aos usuários.

Impacto Generalizado no Transporte e na Economia Local

O aumento dos combustíveis não se restringe ao transporte fluvial, afetando também motoristas de aplicativo, taxistas e outros setores que dependem de veículos para suas atividades. Relatos de frentistas indicam que as reclamações sobre a alta frequente dos preços se tornaram rotineiras. Motoristas de turismo já sentem a redução em seus lucros, enquanto taxistas veem seus gastos diários com combustível saltarem de cerca de R$ 150 para R$ 200.

Cenário Crítico no Interior do Amazonas

A situação é ainda mais crítica no interior do Amazonas, onde o transporte é majoritariamente dependente de rotas fluviais e longas distâncias. Em alguns municípios, o preço do litro da gasolina já se aproxima de R$ 9, evidenciando um agravamento da crise de mobilidade e custos. O economista Mourão Júnior explica que a própria logística da região já encarece o combustível, tornando o impacto ainda mais severo para a população.

Refinaria e Sindicatos Alertam para Riscos

A Refinaria da Amazônia (REAM) informou que sua participação no mercado de abastecimento do estado é de cerca de 30% e atribui a alta dos preços a fatores internacionais, como conflitos no Oriente Médio e a valorização do petróleo. A refinaria destacou que os preços internacionais da gasolina e do diesel subiram 36% e 65%, respectivamente, desde o fim de fevereiro, e que a necessidade de importar insumos cotados em dólar também pressiona os custos. Em contrapartida, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sifretam) alerta para o risco de desabastecimento e possível paralisação de serviços, o que poderia comprometer o transporte de trabalhadores do Polo Industrial de Manaus e gerar impactos negativos em toda a economia do estado.

Monitoramento e Cobrança por Medidas Emergenciais

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que está monitorando a situação e mantendo diálogo com as empresas para avaliar os efeitos no setor. Diante do cenário desafiador, representantes do setor e da população cobram medidas emergenciais do governo para garantir o abastecimento e evitar novos prejuízos à população amazonense, especialmente em um estado onde o transporte fluvial é uma linha de vida essencial.