Atropelamento brutal choca moradores em Manaus e leva à prisão de motorista

Um grave incidente na rua Adauto Uchôa, no bairro Parque Dez de Novembro, em Manaus, deixou moradores chocados e revoltados. Seis cães comunitários, que eram parte integrante da rotina e recebiam cuidados de toda a vizinhança, foram atropelados por um carro que invadiu a calçada onde descansavam. O caso, ocorrido na quarta-feira (22), resultou na morte de um dos animais e deixou outros cinco feridos, alguns com necessidade de internação.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o veículo branco avança sobre os cães, que estavam na calçada. A Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet) confirmou que uma cadela morreu no local. Dos cinco cães feridos, dois necessitaram de atendimento veterinário emergencial, sendo que um deles apresentou contusão pulmonar. Os demais sofreram escoriações leves.

O episódio, presenciado pelo empresário Jaider Souza, que mantém vasilhas com água e comida para os animais em frente ao seu comércio, gerou comoção. “Foi chocante. A imagem é bem forte, um susto e um barulho muito grande. O que a gente espera é justiça, que isso sirva de exemplo. Animal é vida, não é para atropelar e depois simplesmente descartar”, desabafou Souza.

Comunidade unida em prol dos animais

Os cães atropelados eram conhecidos por todos na rua Adauto Uchôa e faziam parte do cotidiano local. Mesmo sem um tutor específico, a comunidade se organizava para garantir que os animais tivessem sempre alimentação, água fresca e cuidados veterinários quando necessário. A tragédia, no entanto, deixou filhotes órfãos, exigindo ainda mais atenção dos vizinhos.

Mara Hyden, farmacêutica e moradora, relata que “eles são alimentados por todos os moradores. Cada um contribui com alimentação, medicamentos e cuidado”. Ela relembra que uma das cadelas, conhecida como “Peludinha”, que também foi vítima de atropelamento e perdeu um olho, foi adotada por ela há cerca de um ano.

Outro exemplo de solidariedade é o do músico Davi de Matos, que cedeu uma casa em construção para abrigar uma cadela que havia dado à luz, protegendo os filhotes da exposição direta na rua no momento do incidente.

Suspeito preso e declarações chocantes

O suspeito de cometer o crime, Jefferson Figliuolo, de 35 anos, foi preso na manhã desta quinta-feira (23) no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, quando se preparava para embarcar em um voo para São Paulo. Agentes da Polícia Federal realizaram a abordagem.

Após a prisão, Figliuolo foi encaminhado à Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema). Ao ser questionado por jornalistas, ele declarou que não se arrependia da ação e que repetiria o ato, declarações que aumentaram a indignação da comunidade e das autoridades.

O delegado responsável pelo caso informou que o objetivo agora é manter o suspeito preso e coletar informações que esclareçam a motivação por trás do cruel atropelamento. Jefferson Figliuolo passará por audiência de custódia ainda nesta quinta-feira (23), onde a Justiça decidirá sobre a manutenção de sua prisão.

Consequências legais para o agressor

A prisão de Jefferson Figliuolo representa um passo importante para a busca por justiça para os animais atropelados. A Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente e Urbanismo (Dema) já iniciou os procedimentos cabíveis. O caso ressalta a importância da proteção animal e as consequências legais para quem comete atos de crueldade contra eles.

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) acompanhará o caso de perto, com a audiência de custódia definindo os próximos passos. A sociedade aguarda um desfecho que sirva como precedente e desestimule novas atitudes covardes como a ocorrida na rua Adauto Uchôa.