Lula promete retaliação a policiais americanos no Brasil em caso de abuso contra adido da PF em Miami
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta terça-feira (21) que o Brasil poderá adotar medidas de reciprocidade contra policiais americanos em território nacional caso se confirme algum tipo de abuso contra Marcelo Ivo, adido da Polícia Federal (PF) em Miami. A declaração ocorreu durante sua visita à Alemanha.
Ivo foi alvo das autoridades americanas, em uma ação ligada ao caso que resultou na prisão, na semana passada, do ex-delegado federal e ex-deputado Alexandre Ramagem. Ramagem, que era foragido da Justiça brasileira, foi liberado dois dias após sua detenção.
As declarações do presidente Lula foram feitas em Hannover, onde o Brasil é o país homenageado na Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo. A fala de Lula surge em resposta a um comunicado da embaixada dos EUA no Brasil, que acusou o funcionário brasileiro de tentar manipular o sistema de imigração americano.
Governo Trump acusa adido brasileiro de interferência
Na segunda-feira, o governo do então presidente Donald Trump, através da embaixada dos EUA no Brasil e do escritório de relações ocidentais do Departamento de Estado, afirmou que um funcionário brasileiro teria agido para manipular o sistema de imigração. Segundo o comunicado, a intenção seria contornar pedidos formais de extradição e prolongar o que chamaram de “caças às bruxas políticas em território americano”.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território dos EUA. Hoje, solicitamos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso”, publicou a Embaixada dos EUA no Brasil.
Ministro das Relações Exteriores lamenta o episódio
Pouco antes da manifestação do presidente Lula, o chanceler Mauro Vieira expressou o lamento do governo brasileiro pelo ocorrido. Ele destacou que o delegado da PF em Miami trabalha em conjunto com as autoridades americanas, com base em um memorando de entendimento.
“Portanto, todos sabiam e trabalharam em conjunto”, afirmou Vieira, acrescentando que o Brasil aguarda esclarecimentos das autoridades americanas sobre os motivos da medida. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que acompanha Lula na Alemanha, confirmou que Ivo atuava em Miami há dois anos em atividades policiais rotineiras.
Lula reforça críticas à atuação dos EUA e cobra reforma da ONU
Esta não é a primeira vez que Lula critica a atuação dos Estados Unidos durante sua viagem à Europa. Em Hannover e em Barcelona, o presidente já havia feito críticas severas à postura americana na guerra do Irã, chegando a afirmar que Donald Trump não foi eleito imperador do mundo.
O presidente também reiterou seu apelo pela reforma do Estatuto e do Conselho de Segurança da ONU, um tema recorrente em suas declarações recentes. A viagem de Lula pela Europa incluiu ainda uma parada em Portugal, onde foi recebido pelo primeiro-ministro Luís Montenegro e pelo presidente António José Seguro.
Marcelo Ivo, o adido da PF em Miami, retornou ao Brasil nesta terça-feira (21). A expectativa agora é por um desenrolar diplomático que esclareça os fatos e evite maiores tensões entre Brasil e Estados Unidos.