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Política

Desembargadora critica cortes em ‘penduricalhos’ e alerta: “Daqui a pouco é regime de escravidão” para juízes

Desembargadora critica cortes em ‘penduricalhos’ e alerta: “Daqui a pouco é regime de escravidão” para juízes

Desembargadora compara cortes em salários de juízes a “regime de escravidão” e critica “narrativas” contra a magistratura

Uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará, Eva do Amaral Coelho, manifestou profunda insatisfação com as recentes restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao pagamento de verbas adicionais, conhecidas como “penduricalhos”, a magistrados em todo o país. Em um desabafo durante uma sessão, a juíza comparou a situação atual a um “regime de escravidão”, expressando a percepção de que a classe judicial tem sido alvo de narrativas negativas.

Segundo Eva do Amaral Coelho, a imagem pública dos juízes tem sido distorcida, retratando-os como profissionais sem escrúpulos que buscam enriquecimento ilícito sem esforço. Ela lamentou a transformação da percepção social, afirmando que os magistrados, antes vistos como protetores de direitos, agora são encarados como “vilões da história” e “bandidos”.

A magistrada, que tem 73 anos e atua na justiça desde a década de 1980, relatou que muitos colegas enfrentam dificuldades financeiras e longas jornadas de trabalho, incluindo horas extras e sacrifícios de fins de semana. Ela defendeu a necessidade de a população conhecer o dia a dia da profissão para compreender a real carga de trabalho e dedicação exigida. As declarações foram feitas em 9 de abril, durante uma sessão da 3ª Turma de Direito Penal do TJ do Pará. Conforme apurado, a desembargadora recebeu R$ 91,2 mil líquidos em março, segundo a folha de pagamento do TJ.

“Penduricalho”, uma “expressão chula” que afeta a magistratura

Eva do Amaral Coelho criticou veementemente o uso do termo “penduricalho” para descrever verbas adicionais recebidas por juízes. Ela descreveu a expressão como “chula” e “vagabunda”, argumentando que ela contribui para uma visão distorcida e prejudicial da profissão. A desembargadora ressaltou que essas narrativas criam uma “tensão enorme” e que muitos magistrados já estariam com dificuldades para honrar seus compromissos financeiros.

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Falta de voz e a “execração” dos magistrados

A magistrada lamentou a ausência de vozes que defendam os magistrados em meio às críticas generalizadas. Ela observou que, quanto mais os juízes tentam se defender, mais são “execrados” pela sociedade. Eva do Amaral Coelho alertou que a população sentirá as consequências quando, ao buscar a justiça, não a encontrar, e que “vai ver de que lado ela optou”.

Dia a dia do juiz: horas extras e sacrifício pessoal

Em sua fala, a desembargadora fez um apelo para que parte da população vivenciasse a rotina de um juiz ou desembargador. Ela destacou as “enormes horas extras” e o sacrifício de fins de semana como parte integrante da vida profissional. A intenção era demonstrar a dedicação e o esforço que muitos magistrados empregam em suas funções, desmistificando a ideia de que trabalham pouco ou buscam ganhos fáceis.

Desabafo e busca por contato

Eva do Amaral Coelho pediu desculpas aos colegas pela interrupção e classificou seu pronunciamento como um “desabafo sobre uma situação muito triste”. A reportagem tentou contato com a magistrada e com o Tribunal de Justiça do Pará para obter mais detalhes, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

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