Flávio Bolsonaro busca vice católica para atrair eleitores e reverter desvantagem para Lula em pesquisa Datafolha
A corrida eleitoral para a presidência em 2022 segue movimentada, e enquanto a chapa de Lula com Geraldo Alckmin já está definida, Flávio Bolsonaro (PL) ainda busca um nome para compor sua candidatura como vice. Nas últimas semanas, um nome tem ganhado força nos bastidores: a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), conhecida por sua proximidade com o campo religioso católico.
A articulação para viabilizar a candidatura de Marquetto à vice-presidência tem sido intensa. A direção paulista do Partido Progressista divulgou nota afirmando trabalhar ativamente para essa possibilidade, com o apoio de figuras como Ciro Nogueira e Guilherme Derrite. O principal argumento para sua escolha reside em sua forte identificação com a fé católica, evidenciada em suas redes sociais com imagens de orações, devoção a Nossa Senhora Aparecida e participação em eventos religiosos.
Essa movimentação encontra eco dentro do PL, que reconhece a necessidade de expandir sua base de apoio. Internamente, o diagnóstico é de que o eleitorado evangélico já está consolidado, mas o campo católico representa um desafio. O deputado Sostenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, admitiu a necessidade de mudar a tática com os católicos, pois o partido estaria perdendo terreno neste segmento.
Pesquisa aponta Lula à frente entre católicos, enquanto Flávio Bolsonaro lidera entre evangélicos
Os números reforçam a urgência dessa estratégia. Uma pesquisa recente do Datafolha, divulgada em abril, revelou que entre os eleitores católicos, Lula (PT) detém 43% das intenções de voto, contra 30% de Flávio Bolsonaro. Em contrapartida, entre os evangélicos, a situação se inverte, com Bolsonaro abrindo vantagem. Essa disparidade evidencia a necessidade de uma abordagem diferenciada para conquistar o voto católico.
Diferenças estratégicas: como o PL busca dialogar com católicos e evangélicos
A estratégia do bolsonarismo para se aproximar dos evangélicos difere significativamente da abordagem pretendida para o campo católico. No segmento evangélico, a atuação se dá por meio do diálogo com lideranças religiosas e a atração de candidatos oriundos dessas comunidades. Essa tática, no entanto, encontra barreiras no catolicismo devido à sua estrutura mais hierárquica e centralizada.
A cúpula institucional da Igreja Católica, como a CNBB, mantém distância de negociações políticas diretas, e bispos progressistas tendem a ser refratários a esse tipo de alinhamento. Diante disso, a estratégia de Flávio Bolsonaro parece se concentrar em intermediários e lideranças com forte presença digital e em comunidades carismáticas.
Simone Marquetto e o “catolicismo digital”: a nova aposta de Flávio Bolsonaro
A aposta do PL para conquistar o eleitorado católico passa pelo apelo a influenciadores e personalidades do chamado “catolicismo digital”. Eros Biondini, deputado do PL, cantor católico e membro da Renovação Carismática, com forte presença nas redes sociais, é um exemplo dessa estratégia. A ideia é disputar esse campo com Lula através de um catolicismo mais midiático e emocional, em vez de focar na hierarquia institucional.
Essa abordagem pode suscitar desconfiança em setores progressistas, pois se distancia da Teologia da Libertação, que historicamente aproximou católicos da esquerda no passado. Naquela época, o movimento era enraizado nas bases da Igreja, em comunidades e pastorais sociais, diferentemente da atuação autônoma de influenciadores digitais.
A Igreja Católica se adapta aos “missionários digitais” e a estratégia de Flávio pode funcionar
Contudo, a Igreja Católica tem demonstrado uma crescente atenção aos chamados missionários digitais. A canonização de Carlo Acutis, o “santo da internet”, exemplifica essa adaptação. É nesse contexto de transformação digital dentro do próprio Vaticano que a estratégia de Flávio Bolsonaro, com ou sem uma vice católica como Simone Marquetto, pode encontrar terreno fértil para influenciar o eleitorado.