Comunidade em Itacoatiara protesta por falta de transporte escolar e precariedade na Escola Estadual Anilia Nogueira da Silva.
Pais, estudantes e moradores da comunidade Nossa Senhora das Graças, na zona rural de Itacoatiara, realizaram um protesto nesta segunda-feira (15) cobrando a volta do transporte escolar fluvial e exigindo melhorias urgentes na estrutura da Escola Estadual Anilia Nogueira da Silva. Cerca de 100 alunos, do ensino fundamental e médio, estão sendo impedidos de frequentar as aulas devido à falta de transporte.
A suspensão do transporte escolar fluvial, que atende estudantes de 11 comunidades ribeirinhas, ocorre, segundo os comunitários, pela falta de pagamento aos responsáveis pelas embarcações. A situação tem impactado diretamente a frequência dos alunos e comprometido o calendário escolar, gerando grande preocupação na comunidade local.
A Rede Amazônica buscou contato com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) para obter um posicionamento sobre as denúncias e as medidas que estão sendo tomadas, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O caso evidencia um grave problema na oferta de educação para comunidades ribeirinhas no Amazonas.
Alunos perdem aulas e oportunidades devido à falta de transporte escolar
Com cartazes em mãos, os manifestantes expressaram sua insatisfação e o impacto direto da falta de transporte escolar na vida dos estudantes. Muitos alunos estão perdendo aulas essenciais, e alguns pais, desesperados, chegam a arcar com os custos do deslocamento dos filhos por conta própria para que não fiquem para trás nos estudos.
A situação é especialmente crítica para os estudantes do 3º ano do ensino médio, que se preparam para vestibulares e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A estudante Eloá Portela Pinheiro, de 17 anos, relatou ter perdido a segunda fase do Processo Seletivo Contínuo (PSC) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) por não conseguir se locomover até a cidade para realizar a prova, um prejuízo imensurável em sua trajetória acadêmica.
Estrutura precária da escola e promessas não cumpridas
Além da grave questão do transporte, os moradores também denunciam as condições precárias da estrutura da escola. A unidade funciona em um prédio de madeira, que a comunidade considera provisório. A antiga escola de alvenaria foi demolida há aproximadamente nove anos com a promessa de uma nova construção, mas, até o momento, as obras não foram iniciadas, deixando os alunos em um ambiente inadequado para o aprendizado.
A comunidade relata ainda problemas com a qualidade da água consumida pelos estudantes e a falta de segurança na unidade escolar. Há um temor de que a estrutura de madeira apresente riscos, e os moradores pedem uma vistoria urgente do Corpo de Bombeiros para avaliar a segurança do local.
Comunidade cobra respostas da Seduc sobre transporte e escola
Marivone Nogueira, mãe de aluna e representante comunitária, enfatizou a urgência da situação: “Nosso maior objetivo hoje é buscar melhorias no transporte escolar. Nossos filhos estão ficando sem aula. A aprendizagem acontece presencialmente. A gente quer resposta da Seduc”. A declaração reflete o anseio por uma solução rápida e eficaz para garantir o direito à educação.
A falta de transporte escolar e as condições inadequadas da Escola Estadual Anilia Nogueira da Silva representam um sério obstáculo para o desenvolvimento educacional de cerca de 100 alunos em Itacoatiara. A comunidade clama por ações concretas das autoridades responsáveis para reverter esse quadro alarmante.