Defesa da médica investigada no caso Benício solicita afastamento do delegado por vazamento de informações sigilosas e declarações indevidas.

A defesa da médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier de Freitas, protocolou nesta terça-feira (24) um pedido de afastamento do delegado Marcelo Martins de Almeida Silva, responsável pelo inquérito. A alegação central é que o delegado teria divulgado informações sigilosas à imprensa e feito declarações sobre provas sem base técnica ou perícia oficial.

O caso que chocou o país envolve a morte de Benício, ocorrida em 23 de novembro, após receber uma aplicação de adrenalina durante atendimento hospitalar. A investigação aponta que a via e a dosagem prescritas não eram adequadas para o quadro clínico da criança, resultando em múltiplas paradas cardíacas.

Segundo a defesa, o delegado teria afirmado publicamente que um vídeo apresentado pela defesa seria falso ou adulterado, mesmo antes de qualquer perícia oficial ser concluída. Essa conduta, argumentam os advogados, compromete a imparcialidade da investigação e influencia negativamente a opinião pública. Conforme divulgado pelo g1, o delegado teria declarado que a médica “encomendou e pagou por vídeo adulterado para justificar erro em prescrição”.

Delegado é acusado de expor a médica e distorcer fatos

O pedido de afastamento destaca que a postura do delegado, ao declarar publicamente sobre a adulteração de um vídeo sem perícia técnica, é incompatível com a isenção necessária para a atividade investigativa. A defesa ressalta ainda que nenhuma decisão judicial até o momento se baseou no vídeo em questão, mas sim na ausência de requisitos legais para prisão preventiva.

Os advogados acusam o delegado de criar uma narrativa distorcida e de expor indevidamente a imagem da médica. A divulgação de informações sobre a suposta adulteração do vídeo, segundo a defesa, configura um forte indício de vazamento indevido de informação protegida por sigilo legal.

Pedidos da defesa e o andamento do caso

Entre os pedidos apresentados pela defesa estão a apuração de possível violação de sigilo funcional e abuso de autoridade, a realização de perícia técnica no vídeo com observância da cadeia de custódia, e o afastamento do delegado da condução do inquérito. O caso segue em análise na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus.

Polícia Civil aponta adulteração de vídeo e dolo eventual

A Polícia Civil do Amazonas informou que a médica Juliana Brasil Santos teria encomendado e pago pela adulteração de um vídeo para justificar um erro na prescrição de adrenalina. Segundo a investigação, o vídeo, apresentado pela defesa, sustentava a versão de falha no sistema do hospital. No entanto, perícias teriam comprovado a manipulação do conteúdo, com mensagens extraídas do celular da médica indicando a oferta de dinheiro para a produção do material alterado.

Em áudios obtidos pela polícia, Juliana Brasil teria afirmado a necessidade de alguém para editar o vídeo e que ele chegaria “já alterado”. Para os investigadores, essa tentativa de fraude processual reforça a suspeita de dolo eventual no caso. A Polícia Civil aponta erro na prescrição e aplicação da adrenalina por via intravenosa, o que teria levado à rápida piora do quadro clínico da criança. A médica e a técnica de enfermagem que aplicou a medicação foram afastadas de suas atividades profissionais por decisão judicial.