O presidente Luiz Inácio Lula da Silva contou nesta terça-feira, 12, que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião em Washington na semana passada, a entrega de criminosos brasileiros que moram em Miami.

“Disse ao presidente Trump, se quiser combater o crime organizado de verdade, tem que começar a entregar alguns nossos que estão morando em Miami. É só querer discutir”, disse Lula. A fala foi durante um evento no Palácio do Planalto para lançar o plano Brasil Contra o Crime Organizado, que prevê investimentos para combater facções criminosas no país.

O presidente não especificou a quais criminosos se referia, mas há ao menos dois brasileiros foragidos da Justiça em Miami: o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria de Manguinhos e maior devedor de impostos do país, e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo por tentativa de golpe de estado.

Ramagem, aliás, foi pivô de um mal-estar diplomático entre os governos do Brasil e EUA depois que ele foi preso pela polícia de imigração americana no início de abril. A gestão petista atribuiu a prisão ao fato de o ex-auxiliar de Jair Bolsonaro ter sido condenado no STF e em razão de uma colaboração com a PF brasileira. O governo americano não só não confirmou, como soltou Ramagem após dois dias e determinou ao adido da PF na Flórida que deixasse o país. Em retaliação, Lula determinou também a expulsão de um agente de ligação americano que atuava no Brasil.

Na última quinta-feira, 7, Trump recebeu o brasileiro na Casa Branca para uma reunião a portas fechadas. De acordo com ambos, o principal tema abordado foram as questões comerciais, principalmente as tarifas de exportação.