Brasileiro Maurício da Cruz viraliza ao mostrar vida em ‘favela’ chinesa pagando aluguel irrisório em Pequim

Maurício da Cruz, um brasileiro que vive em Pequim, na China, tem chamado a atenção nas redes sociais ao compartilhar sua rotina em uma área que ele descreve como uma “favela chinesa”. Em vídeos que viralizaram, ele mostra os detalhes de sua moradia de 28 m², com revestimento externo de isopor, e revela que paga o equivalente a apenas R$ 30 de aluguel por mês.

A decisão de morar em uma área mais humilde na capital chinesa surgiu após a perda de seu emprego como tradutor de jogos eletrônicos, devido ao avanço da inteligência artificial. Diante do alto custo de vida em Pequim, Maurício optou por se mudar para a casa onde reside atualmente, herdada de sua sogra, para economizar.

O relato de Maurício, que chegou à China pela primeira vez aos onze anos e sempre nutriu o desejo de morar no país, oferece um olhar único sobre as transformações sociais e urbanas da China, contrastando a modernidade da metrópole com as moradias de áreas históricas. Conforme informação divulgada pelo g1, o brasileiro se tornou uma sensação na internet, atraindo milhões de visualizações de compatriotas curiosos sobre a vida no gigante asiático.

Uma vida de contrastes em Pequim

A casa de Maurício está localizada em uma área que antes pertencia a famílias ricas e era composta por conjuntos de casas com pátio interno, conhecidos como siheyuan. Após a tomada de poder pelo Partido Comunista, essas propriedades foram redistribuídas e subdivididas ao longo do tempo, acomodando diversas famílias e resultando em adaptações informais para suprir a falta de espaço e infraestrutura.

“Minha casinha antes não tinha banheiro até fazerem uma construção meio irregular, que é comum nesse tipo de área. São os ‘puxadinhos’ você ocupa um espaço que não é de ninguém ali, do governo, e levanta uma parede. Não é legalizado, mas sempre foi feito por aqui”, explica Maurício.

Apesar das adaptações externas, como o revestimento de isopor, o interior da casa de 28 m² foi reformado pelo casal e conta com comodidades modernas, incluindo ar-condicionado. “Hoje, por dentro, minha casa é moderna, colocamos ar-condicionado e tudo está novinho. Apesar de ter só 28 metros quadrados, tem tudo que precisamos”, afirma.

Segurança e comunidade incomuns

Um dos aspectos que mais surpreende Maurício é a segurança na comunidade onde vive. Mesmo em uma área com moradias simples e vizinhos próximos, ele relata que nunca teve problemas e que objetos deixados na porta, como compras online, permanecem intactos.

“O que a gente compra na internet fica na porta, sabe? O pessoal passa, e mesmo assim ninguém mexe. Nem todo mundo aqui é rico, tem gente mais humilde, mas não existe roubo”, conta o brasileiro, destacando que as grades nas janelas, resquícios de um passado menos seguro, hoje chamam a atenção em um local tão seguro.

Apesar da proximidade com os vizinhos, que ele compara a uma falta de privacidade em relação ao Brasil, Maurício diz viver tranquilo e valoriza a convivência, que, segundo ele, é ótima e sem conflitos.

Do tradutor ao influenciador digital

Sem o emprego anterior, Maurício, de 37 anos, passou a dedicar mais tempo à produção de conteúdo sobre a vida na China. Seus vídeos, que exploram desde o cotidiano nas áreas históricas até curiosidades culturais, rapidamente conquistaram milhões de visualizações e seguidores.

“Parece que é tudo tão diferente que chama muita atenção. É uma sensação de novidade constante, sabe? Você sempre está sendo surpreendido”, reflete ele, comparando a experiência a estar em uma viagem permanente. A monetização dos vídeos tem ajudado a complementar sua renda e a manter o custo de vida na China.

Um novo projeto: agência de turismo

Com o sucesso nas redes sociais, Maurício planeja ir além da produção de conteúdo. Ele abriu uma empresa no Brasil e pretende lançar uma agência de turismo chamada “China Sem Fim”, com o objetivo de trazer brasileiros para conhecer a China em grupos.

“Quero usar todo esse conhecimento e a audiência que eu tenho para transformar isso em renda”, explica. Ele já recusou propostas de publicidade que não se alinhavam com seu perfil, preferindo construir um projeto sólido que mostre a China em sua autenticidade.