Governo libera R$ 15 bilhões em crédito para setores estratégicos e exportadores afetados por tarifas e conflitos internacionais

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) a destinação de R$ 15 bilhões em crédito, priorizando setores econômicos que buscam atenuar os impactos da guerra no Oriente Médio e das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A iniciativa também visa apoiar segmentos considerados estratégicos para o país.

A medida, que faz parte da segunda etapa do Programa Brasil Soberano, será operacionalizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é oferecer suporte financeiro para empresas que enfrentam dificuldades de exportação e para aquelas com déficits na balança comercial.

Os detalhes foram apresentados pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, que destacou a importância do crédito para a saúde da economia nacional. Conforme informação divulgada pelo Palácio do Planalto, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou as condições para a oferta deste crédito, permitindo a abertura das linhas.

Três grupos de empresas serão beneficiados com o novo crédito

A Portaria Interministerial publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) detalha os três grupos de empresas elegíveis para acessar os R$ 15 bilhões. O primeiro segmento abrange empresas exportadoras de bens industriais e seus fornecedores, que foram impactados pelas medidas tarifárias dos Estados Unidos. Para se qualificar, o faturamento bruto com exportações deve ter representado 5% ou mais do apurado entre agosto de 2024 e julho de 2025.

As indústrias de aço, cobre e alumínio, que enfrentaram tarifas extras de 50%, e os setores de autopeças e alguns tipos de móveis, com taxa de 25%, estão entre os mais afetados e com potencial para se beneficiar. O crédito visa oferecer um alívio financeiro para essas companhias.

Setores estratégicos e foco em tecnologia recebem atenção especial

O segundo grupo inclui empresas de setores considerados estratégicos devido à relevância do uso de tecnologia e ao impacto na modernização produtiva do Brasil. Estão contemplados os ramos têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, máquinas e equipamentos eletrônicos e de informática, além de borracha e minerais críticos. Estes setores são cruciais para o desenvolvimento econômico e a competitividade do país no cenário internacional.

O governo busca, com isso, incentivar a inovação e o fortalecimento dessas cadeias produtivas. A inclusão desses segmentos reflete a visão de um Brasil mais moderno e tecnologicamente avançado, capaz de competir globalmente.

Exportações para o Oriente Médio também são contempladas

O terceiro grupo abrange empresas exportadoras e seus fornecedores com destino aos países da região do Golfo Pérsico, no Oriente Médio. Isso inclui empresas brasileiras que vendem para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã. Para este grupo, o faturamento bruto com exportações para a região deve representar 5% ou mais do valor apurado entre janeiro e dezembro de 2025.

A medida visa mitigar os riscos e as dificuldades de exportação para essa região, que tem sido afetada por instabilidades geopolíticas e conflitos. O crédito oferecido busca garantir a continuidade e o fortalecimento das relações comerciais brasileiras com esses importantes mercados.

Condições de crédito e prazos para empresas

As linhas de crédito disponibilizadas pelo BNDES poderão ser utilizadas para financiar capital de giro, produção para exportação, aquisição de bens de capital e investimentos em ampliação de capacidade produtiva. Também serão contemplados projetos de adaptação de atividades produtivas, inovação tecnológica e adaptação de produtos, serviços e processos.

As taxas de juros variam de 0,94% ao mês para investimentos e chegam a 1,28% para capital de giro nas contratações diretas com o BNDES. Para contratações indiretas, com outras instituições financeiras, as taxas oscilam entre 1,06% e 1,41%. Os prazos de carência podem ir de 1 a 4 anos para investimentos, com prazos de quitação de 5 a 20 anos, oferecendo condições favoráveis para o planejamento financeiro das empresas.