O antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar do Amazonas, desativado nesta terça-feira (12), revelou um cenário de precariedade após a transferência dos detentos para a nova Unidade Prisional da PM (UPPM/AM). Imagens divulgadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) expõem a **estrutura insalubre** que abrigava policiais militares custodiados.
O local, que tinha capacidade para cerca de 30 presos, chegou a abrigar mais de 70 policiais militares. O promotor de Justiça Armando Gurgel, que acompanha o caso, classificou o espaço como **“totalmente disfuncional”**, evidenciando a gravidade da situação.
A transferência dos detentos ocorreu durante a Operação Sentinela Maior, uma ação conjunta do MPAM, Polícia Militar e Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). A nova unidade, instalada no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus, visa melhorar o controle administrativo e a segurança no custodiamento de policiais militares presos.
Condições desumanas expostas em imagens
As imagens divulgadas pelo MPAM mostram um único quarto servindo como carceragem para 71 detentos. No local, havia **camas improvisadas**, mau cheiro e a ausência de divisões seguras, grades e corredores apropriados. Pertences como malas estavam espalhados, contribuindo para o ambiente insalubre.
O promotor Armando Gurgel detalhou as irregularidades, apontando que a unidade não oferecia estrutura mínima para garantir a **assistência aos detentos**. Entre os problemas estavam a ausência de atendimento regular de saúde, odontologia, assistência psicológica e social, além de atividades educacionais.
Superlotação e riscos para policiais e presos
A superlotação era um dos principais problemas, com mais de 70 policiais militares custodiados em um espaço projetado para 30. O promotor destacou que as condições colocavam em risco os próprios policiais responsáveis pela custódia, devido à falta de arquitetura adequada para o controle da massa carcerária.
Situações graves foram identificadas durante inspeções, como a **presença de facas** dentro da unidade e dificuldades de controle dos internos. O MPAM intensificou sua atuação após a fuga de 23 policiais militares em fevereiro deste ano, um indicativo do “problema estrutural” existente.
Nova unidade prisional busca normalizar a situação
A nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM) funcionará no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus. A estrutura foi criada para substituir o antigo núcleo, oferecendo **regras próprias, maior controle administrativo e reforço na segurança**.
A transferência dos 71 policiais militares ocorreu em três ônibus. Apesar dos protestos de familiares que tentaram impedir a saída dos detentos, a ação foi concluída. A nova unidade, segundo o MP, retira o Amazonas de uma situação de “total falta de governança” no sistema de custódia de policiais militares presos.
No dia da transferência, familiares realizaram protestos em frente à unidade e na saída dos ônibus, havendo confronto verbal com equipes de segurança. A Polícia Militar informou que, após a fuga de 18 detentos em fevereiro, todos retornaram espontaneamente e a situação foi regularizada.