Grávida mantida em cárcere por grupo de agiotagem no AM pode ter sofrido aborto durante sequestro, diz delegado.

Uma mulher grávida foi mantida em cárcere privado por dez dias por um grupo criminoso envolvido com agiotagem e extorsão. A investigação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) aponta para a **alta probabilidade de que a vítima tenha perdido o bebê** durante o período em que esteve sequestrada.

O caso veio à tona com a deflagração da operação “Covil de Mamon”, que visou desarticular duas organizações criminosas com atuação em Manaus, Santa Catarina, Paraíba e Roraima. A ação policial cumpriu 20 mandados de prisão preventiva, incluindo dois contra policiais militares do Amazonas, além do sequestro de bens e bloqueio de contas.

Segundo o delegado Fernando Bezerra, responsável pela investigação, a gravidade da situação se deu durante um ato de cobrança. “Em um dos atos de cobrança de uma das organizações criminosas, nós tivemos uma moça que foi sequestrada e estava em cárcere privado em um dos QGs dessa organização criminosa. Ela foi colocada em sequestro por praticamente dez dias e, durante esse período, há, nos autos da investigação, alta probabilidade de que ela tenha perdido o bebê que estava gestando”, declarou o delegado.

Operação “Covil de Mamon” prende policiais e desarticula esquema criminoso

A operação policial, que teve como alvo um esquema de **agiotagem e extorsão**, desarticulou duas organizações criminosas. Foram cumpridos 20 dos 26 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. Entre os presos estão dois policiais militares do Amazonas, que teriam integrado o núcleo financeiro de um dos esquemas.

Além das prisões, a operação resultou no sequestro de 42 veículos e sete imóveis, além do bloqueio de contas bancárias e a suspensão das atividades de sete empresas ligadas aos suspeitos. Os criminosos ofereciam empréstimos com juros abusivos e, para quem não pagava, aplicavam métodos violentos de cobrança, que incluíam ameaças, extorsão, tortura, sequestro e até homicídios.

Policial Militar preso em Santa Catarina já respondia a processo

Os dois policiais militares presos durante a operação foram detidos em Santa Catarina. De acordo com o diretor de Comunicação da PMAM, Andrey Oliveira, os militares **se ausentaram do Amazonas sem autorização judicial**. Eles já respondiam a um processo criminal e estavam suspensos da atividade policial.

“Eles já respondiam um processo criminal que já estavam em nível de Justiça e estavam suspensos da atividade policial. Gostaria de reafirmar o compromisso da polícia militar em não compactuar com esses casos de corrupção. Eles já respondiam a processo administrativo e aguardaremos o desfecho dessa investigação da Polícia desse novo caso”, afirmou Oliveira.

Vítimas de agiotagem sofriam ameaças e violência extrema

O modus operandi do grupo criminoso envolvia a oferta de empréstimos com **juros exorbitantes**. A incapacidade de pagamento por parte das vítimas desencadeava uma série de violências. As cobranças eram marcadas por ameaças, extorsão, tortura e, em casos extremos, sequestro e homicídio.

A gravidez da vítima mantida em cárcere privado durante a ação de cobrança evidencia a crueldade e a falta de escrúpulos dos envolvidos. A polícia segue investigando para apurar todas as circunstâncias do caso e garantir a punição dos responsáveis.