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Política

Jornada de 52 horas semanais? Centrão quer enterrar escala 6×1 e ampliar exploração

Jornada de 52 horas semanais? Centrão quer enterrar escala 6×1 e ampliar exploração

O sonho da redução da jornada de trabalho virou pesadelo. Uma emenda apoiada pelo Centrão e pela extrema direita à PEC do fim da escala 6×1 não só inviabiliza a proposta original como cria mecanismos para ampliar a carga horária para até 52 horas semanais — tudo em nome da “flexibilização”.

Protocolado pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), o texto já tem 176 assinaturas válidas na Câmara, cinco a mais que o mínimo necessário. Entre os apoiadores estão nomes como Nikolas Ferreira, Ricardo Salles, Marcel van Hattem, Caroline de Toni, Sóstenes Cavalcante e Bia Kicis.

Na prática, a emenda rasga o espírito da PEC 221/2019, que originalmente previa a redução gradual da jornada para 36 horas semanais. Agora, a meta caiu para 40 horas — o que já representa 4 horas extras por semana em relação ao plano inicial.

52 horas por semana: a “autorização constitucional” para o abuso

O ponto mais explosivo do texto está na permissão para que acordos individuais ou coletivos aumentem a jornada em 30% acima do limite constitucional. Como a nova proposta fixa o teto em 40 horas semanais, a conta é simples: 40 + 30% = 52 horas semanais.

Ou seja: o trabalhador poderá ser legalmente obrigado a cumprir mais de 10 horas por dia, seis dias por semana, sem que isso seja considerado ilegal. E o pior: não há necessidade de compensações financeiras — o “negociado” prevalece sobre o “legislado”.

“Essenciais” podem manter 44 horas — mas exceção vira regra

A emenda também cria um sistema de exceções para setores considerados “essenciais” — saúde, segurança, mobilidade, abastecimento e infraestrutura crítica. Essas áreas poderão manter jornadas de até 44 horas semanais sem qualquer redução.

Como o conceito de “atividade essencial” é amplo e será definido por lei complementar no futuro, especialistas temem que a exceção engula a regra e poucas categorias sejam efetivamente beneficiadas.

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10 anos de espera (e mais uma lei pela frente)

Mesmo que a PEC seja aprovada, a mudança só entraria em vigor daqui a uma década. E só depois desse prazo é que o Congresso precisaria aprovar uma lei complementar para regulamentar a transição, as metas de produtividade e a fiscalização.

Na prática, o fim da escala 6×1 fica adiado por pelo menos 10 anos — e ainda pode nunca sair do papel.

Patrão ganha, trabalhador perde, e o governo paga a conta

Enquanto o trabalhador perde direitos, a emenda oferece um pacote de benefícios fiscais para as empresas que aderirem ao novo regime:

  • Redução de 50% do FGTS
  • Imunidade temporária de contribuições previdenciárias sobre novos contratos
  • Redução de encargos ambientais do trabalho
  • Deduções tributárias sobre novos postos de trabalho

Ou seja: a conta da “flexibilização” é paga pelos cofres públicos, enquanto o trabalhador arca com jornadas mais longas e menos direitos.

Reações e recuos

Após a repercussão negativa, os deputados Mário Heringer e Eunício Oliveira protocolaram pedidos para retirar suas assinaturas. Mas o estrago já está feito: a proposta tem força política e pode ser votada a qualquer momento.

Lista de apoiadores inclui 176 nomes, entre eles: Nikolas Ferreira, Ricardo Salles, Marco Feliciano, Gustavo Gayer, Rosangela Moro, Zé Trovão, Júlia Zanatta e muitos outros (lista completa no link original).

O que está em jogo?

  • Jornada de até 52 horas semanais (com “autorização constitucional”)
  • Fim da escala 6×1 adiado por 10 anos
  • Meta de redução cai de 36h para 40h
  • Acordos individuais valem mais que a lei
  • Setores essenciais mantêm 44h (e a lista pode ser enorme)
  • Benefícios fiscais para empresas, sem garantias para o trabalhador
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