Empresa dos EUA adquire mineradora brasileira de terras raras em transação bilionária
A mineradora norte-americana USA Rare Earth (USAR) anunciou nesta segunda-feira (20) a aquisição da brasileira Serra Verde, especializada na extração de terras raras, em um negócio avaliado em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. A transação marca um passo significativo para a criação da maior empresa global do setor, com o objetivo de estabelecer uma cadeia de suprimentos completa para esses materiais estratégicos fora da Ásia.
A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, localizada em Minaçu, Goiás. Esta unidade é a única mina de argilas iônicas ativa no Brasil e a única produtora mundial fora da Ásia de quatro terras raras pesadas de alta criticidade e valor: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). A produção global de terras raras é majoritariamente dominada pela China, respondendo por mais de 90% da extração mundial.
Esses elementos são cruciais para a fabricação de ímãs permanentes, componentes essenciais em tecnologias de ponta como veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica, drones, aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência, semicondutores, equipamentos de defesa, e aplicações nas áreas nuclear e aeroespacial. A aquisição, conforme divulgado pelas companhias, promete impulsionar o desenvolvimento e a segurança no fornecimento desses materiais vitais.
Serra Verde: Um Ativo Estratégico para a Cadeia de Terras Raras
A mina de Pela Ema, em Goiás, é considerada um ativo estratégico devido à sua capacidade única de extrair terras raras pesadas. Atualmente em fase um de produção, considerada modesta, a expectativa é que a produção seja dobrada até 2030. A combinação das operações da Serra Verde com as capacidades de mineração e processamento da USAR visa estabelecer a primeira cadeia de suprimentos de terras raras, da mina ao ímã, fora do continente asiático.
“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da USAR”, informou o grupo Serra Verde em nota ao mercado. Este movimento estratégico fortalece a posição dos Estados Unidos na busca por autonomia em recursos críticos.
Contrato de Longo Prazo Garante Fornecimento e Investimento
Um contrato de 15 anos foi estabelecido para o fornecimento de 100% da produção da Fase I da Serra Verde para uma Empresa de Propósito Específico (SPV). Esta SPV será capitalizada por diversas agências do governo dos Estados Unidos, além de fontes de capital privado, com preços mínimos garantidos para as terras raras magnéticas. Este acordo visa proporcionar fluxos de caixa seguros e previsíveis para a Serra Verde, mitigando riscos e apoiando o desenvolvimento contínuo da operação.
O acordo permitirá a formação de uma “empresa multinacional líder em terras raras de mineração de mina ao ímã, com oito operações, no Brasil, EUA, França e Reino Unido e com capacidades operacionais ativas em toda a cadeia de suprimentos de terras raras leves e pesadas”, segundo o comunicado. As capacidades abrangerão mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs.
Brasil como Protagonista na Nova Ordem das Terras Raras
Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO do Grupo Serra Verde, destacou a importância do acordo para o Brasil. “Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras”, afirmou. Ele ressaltou que as garantias de fornecimento e a união com a USAR validam a qualidade da operação brasileira e o compromisso com práticas responsáveis.
O mercado reagiu positivamente ao anúncio, com as ações da USAR registrando alta na Nasdaq. A aquisição mantém a equipe da empresa brasileira, e dois de seus executivos, Sir Mick Davis e Thras Moraitis, que ocupavam as posições de Presidente do Conselho e CEO do Grupo Serra Verde, respectivamente, foram incorporados à diretoria da USAR. A movimentação ocorre em um cenário global onde a dependência da China na produção de terras raras tem sido um ponto de preocupação para diversos países, incluindo os Estados Unidos.