Moradores da Colônia Antônio Aleixo protestam após polícia encerrar Festa do Dia das Mães
O que era para ser uma celebração alegre em homenagem ao Dia das Mães, na zona leste de Manaus, transformou-se em um palco de tensão e indignação na madrugada do último sábado (9/5). Uma operação conjunta da Polícia Civil e Militar encerrou abruptamente um evento comunitário, desencadeando fortes reações dos presentes e acusações de abuso de autoridade.
Moradores gravaram a ação policial e vídeos que circulam nas redes sociais mostram a multidão confrontando os agentes. As imagens revelam a revolta popular diante do encerramento da festa, que deveria ser um momento de confraternização para as famílias do bairro.
As autoridades justificam a intervenção citando a presença de crianças em horário inadequado e o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes. Além disso, apontam a falta de documentação do organizador e uma ligação clandestina de energia elétrica como motivos para o encerramento. A notícia dessas justificativas, no entanto, não apaziguou os ânimos dos residentes, que se sentem perseguidos. Essa informação foi divulgada conforme as declarações oficiais dos órgãos de segurança.
Versão Oficial: Irregularidades e Segurança Pública
De acordo com a delegada Mayara Magna, que coordenou a operação, a intervenção ocorreu por volta de 1h da manhã, como parte das ações “Caminhos Seguros” e “Segurança Presente”. A delegada afirmou que o encerramento foi necessário para **garantir a integridade dos participantes**, citando a presença de crianças em horário inapropriado e o consumo de álcool por adolescentes.
As autoridades também apontaram a falta de documentação necessária para a realização do evento e a descoberta de uma **ligação clandestina de energia elétrica**, popularmente conhecida como “gato”. Essa irregularidade resultou no corte imediato do fornecimento de luz no local, segundo as informações oficiais.
Revolta Popular: Acusações de Perseguição e Motivação Política
Enquanto a polícia apresentava suas justificativas, o clima entre os moradores era de profunda revolta. Em vídeos gravados pelos próprios residentes, é possível ouvir questionamentos diretos sobre a motivação da ação. Um morador, em meio ao tumulto, chegou a citar nomes de figuras públicas, gritando: “Roberto Cidade! Como é que tu quer ganhar voto desse jeito?”.
Um líder comunitário, em um depoimento mais enfático, expressou o sentimento de **perseguição que a comunidade alega sofrer**. Ele dirigiu críticas severas ao Capitão Cavaloiz, comandante do 28º DIP, acusando-o de não respeitar a comunidade e de impor leis de forma arbitrária. “Aqui continua sendo Manaus, Amazonas”, desabafou o morador, comparando a situação com outros locais e mencionando o uso de gás de pimenta contra os residentes em ocasiões anteriores.
Desfecho da Festa e Orientações para Regularização
Apesar dos protestos, a festa foi efetivamente dispersada pelas forças policiais. O responsável pelo evento foi formalmente orientado a buscar a **regularização junto aos órgãos competentes** para futuras celebrações. Foi-lhe imposta a proibição expressa da permanência de menores de idade em situações de risco ou em locais onde haja consumo de álcool.
O Impacto da Intervenção na Comunidade
A ação policial na festa de Dia das Mães gerou um forte debate sobre a atuação das forças de segurança em eventos comunitários e a relação entre a polícia e os moradores. As denúncias de abuso de autoridade e perseguição levantam questões importantes sobre os métodos utilizados e o respeito aos direitos dos cidadãos, especialmente em bairros periféricos.
A comunidade da Colônia Antônio Aleixo clama por um tratamento mais justo e respeitoso por parte das autoridades. A busca por segurança deve, segundo os moradores, andar de mãos dadas com o respeito às tradições e momentos de lazer da população, sem que isso gere conflitos e acusações mútuas. A necessidade de regularização de eventos é um ponto válido, mas a forma como a intervenção ocorreu gerou feridas abertas.