Queda de avião no Aeroclube do Amazonas completa um mês com família de vítima buscando justiça

Um mês se completou desde a trágica queda de um avião monomotor no Aeroclube do Amazonas, em Manaus, que tirou a vida de duas pessoas. O acidente, ocorrido durante um voo de instrução, mobilizou equipes de resgate e causou grande comoção na capital amazonense.

As vítimas foram identificadas como o piloto Fernando Lúcio Moreira dos Santos Filho, de 40 anos, e o empresário Ulysses Oliveira de Souza, de 36 anos. Fernando faleceu no local, enquanto Ulysses chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos graves.

Enquanto as investigações avançam lentamente, a família de Ulysses Oliveira de Souza cobra por respostas e justiça, expressando a dor da perda e a necessidade de esclarecimentos sobre as causas do acidente. Conforme informação divulgada pelo g1, o caso segue sob investigação do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos VII (SERIPA VII).

Piloto experiente e aluno em formação final: as vítimas do acidente

Fernando Lúcio Moreira dos Santos Filho era um profissional dedicado, com seis anos de atuação no aeroclube e mais de 1.500 horas de voo, sendo mais de 400 na aeronave acidentada. Ele ocupava os cargos de diretor do Centro de Instrução de Aviação Civil e coordenador de instrução. Amigos relataram na época que Fernando havia se tornado pai há cinco meses, o que torna a perda ainda mais dolorosa.

Ulysses Oliveira de Souza, por sua vez, estava na reta final de sua formação como piloto. Ele participava de um voo para obtenção de créditos complementares, uma das últimas etapas exigidas para a conclusão do curso. A paixão pela aviação, que o levou a buscar a licença de piloto, terminou de forma trágica.

Investigação em andamento e cobrança por respostas

Ao g1, o SERIPA VII informou que as investigações sobre o acidente estão em andamento e que a conclusão ocorrerá no menor prazo possível. No entanto, a falta de um prazo definido tem gerado apreensão e angústia nos familiares das vítimas.

Fabrizio Oliveira, irmão de Ulysses, relembrou o piloto com saudade e fez um forte apelo por justiça. “Meu irmão era a alma da família, sempre alegre e feliz. Não deixava ninguém na mão, sempre estava por perto para ajudar ou dar uma palavra de apoio. Sentimos muitas saudades e queremos que os responsáveis sejam punidos”, declarou.

Cobrança por apoio e resposta do Aeroclube

Fabrizio Oliveira também criticou a falta de assistência posterior por parte do Aeroclube do Amazonas, afirmando que a instituição prestou suporte apenas no dia do acidente. Em nota, o Aeroclube informou que acionou os serviços de emergência e que prestou toda a atenção aos familiares, incluindo apoio psicológico, e aguarda a conclusão dos trabalhos das autoridades para determinar a causa do acidente.

O avião envolvido no acidente era um modelo Cessna 152, uma aeronave leve amplamente utilizada para instrução. Segundo informações preliminares, a aeronave decolou por volta das 9h do dia 21 de março e, logo após a decolagem, não conseguiu se sustentar no ar, caindo de uma altura aproximada de 30 metros em uma área de mata próxima à pista.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou que Fernando faleceu em decorrência de edema cerebral, hemorragia craniana e traumatismo craniano causado por ação contundente. As causas exatas da queda continuam sob investigação.

O Aeroclube do Amazonas, em nota divulgada na época, garantiu que a aeronave e seus ocupantes possuíam a documentação regularizada junto aos órgãos competentes. A instituição também reforçou o apoio prestado às famílias e a comunicação do acidente às autoridades aeronáuticas.