Ex-policial preso após ameaçar ex-mulher de morte; vítima relata quase uma década de agressões e perseguição

A prisão do policial aposentado Divoney Perosa, ocorrida na última quinta-feira (9), após ameaçar decapitar a ex-mulher, expõe uma dura realidade de quase dez anos de violência doméstica, ameaças e perseguição. Mesmo com a concessão de medidas protetivas, a vítima, hoje com 27 anos, continuou sendo alvo do ex-companheiro.

Em entrevista à Rede Amazônica, a mulher detalhou o sofrimento que enfrentou desde o início do relacionamento, quando tinha apenas 17 anos. Os episódios de agressão começaram logo após irem morar juntos, com justificativas absurdas do agressor.

A vítima revelou que a primeira agressão ocorreu quando ela decidiu comer um lanche na rua sem avisar o então namorado. Essa foi apenas a primeira de muitas situações de violência, marcadas por humilhações e pelo medo constante. Conforme informação divulgada pela Rede Amazônica, a mulher conseguiu medida protetiva, mas o ex-policial desrespeitou a ordem judicial diversas vezes.

O início da violência e o silêncio pela vergonha

A mulher relembrou o primeiro episódio de agressão com detalhes chocantes. “Quando eu cheguei em casa, ele me bateu. Nem cheguei em casa, na rua mesmo. Ele me pegou quando eu estava voltando, rasgou minha roupa e aí, por vergonha, eu entrei no carro sem roupa e aí ele começou a bater pela primeira vez”, relatou a vítima, descrevendo a sensação de “morte” e a falta de forças para se levantar no dia seguinte.

Durante as agressões, Divoney Perosa frequentemente alegava que a vítima estava “louca” e que ele estava apenas “tentando se defender”. Essa narrativa era usada para justificar a violência e manter o controle sobre a mulher.

Medidas protetivas desrespeitadas e perseguição implacável

Em setembro do ano passado, a vítima decidiu deixar a casa do agressor. No entanto, Divoney Perosa passou a persegui-la, abordando-a na rua e exigindo que ela retornasse. Mesmo após ter registrado queixa na polícia e obtido uma medida protetiva, o ex-policial não cessou as ações.

A perseguição se intensificou quando a mulher o bloqueou nas redes sociais. Ele passou a enviar mensagens por meio do Pix, ameaçando contatar terceiros para enviar recados caso ela não desbloqueasse o aplicativo. A delegada Patrícia Leão afirmou que o policial “usava dessa dependência para manter essa menina com ele” e que ele possuía um “perfil perseguidor”.

Ameaças de morte e a prisão do agressor

No início deste mês, o policial aposentado sequestrou a ex-mulher e a obrigou a entrar no carro. Durante o trajeto, ele fez novas ameaças, chegando a dizer que ela “hoje tu vai morrer”. A irmã da vítima perseguiu o carro e filmou a ação, o que auxiliou na investigação.

A vítima, que relatou nunca ter acreditado totalmente nas ameaças até o sequestro, procurou a polícia no dia seguinte. A delegada Patrícia Leão solicitou a prisão do agressor, que foi efetuada em Iranduba enquanto ele se preparava para fugir.

Divoney Perosa de Souza possui outras passagens criminais, incluindo acusações de assédio e violência psicológica em abril de 2023, e foi preso por extorsão em janeiro de 2025, respondendo em liberdade. A defesa de Divoney Perosa de Souza declarou que se manifestará apenas sobre os fatos oficiais do processo.

Um novo começo após anos de dependência e medo

Para a vítima, a prisão representa a chance de recomeçar e se curar do trauma. “Eu era dependente e hoje eu me sinto curada. Hoje eu vejo que aquilo não era normal e por muitos anos eu pensava que aquilo era normal”, desabafou. Ela confessou que, no início, chegou a pensar que as restrições impostas pelo ex-companheiro eram um “ato de carinho”, mas depois percebeu que fazia parte de um plano para mantê-la sob seu controle.