Corregedoria do TJ-AM Investiga Juiz do Careiro por Atraso em Prisão de Suspeito de Estupro
O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) abriu uma investigação contra o juiz da comarca do Careiro, Geildson de Souza Lima. A apuração se deu após a demora na análise de um pedido de prisão preventiva, que ganhou repercussão nacional.
O caso em questão envolve um homem acusado de estuprar uma adolescente de 15 anos. A prisão do suspeito só ocorreu três meses após o pedido oficial ter chegado às mãos do magistrado responsável pela comarca, evidenciando uma falha grave no sistema.
A informação foi confirmada pelo presidente do TJAM, desembargador Jomar Fernandes, que assegurou que a corregedoria já está tomando as medidas administrativas cabíveis para apurar a responsabilidade do juiz diante da omissão.
Demora na Justiça: Um Problema Crônico no Amazonas
A falta de agilidade na prestação jurisdicional no interior do Amazonas foi evidenciada em reportagem recente. O caso da família que aguardou três meses pela prisão de um suspeito de estupro no Careiro exemplifica a gravidade da situação. O pedido de prisão preventiva havia sido feito pela polícia em dezembro de 2025, mas o suspeito só foi detido após o caso ganhar ampla visibilidade midiática.
Este cenário de lentidão não é isolado. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que o Amazonas enfrenta um acúmulo alarmante de processos, com **quase 1 milhão de ações aguardando decisão judicial**. Desse total, mais de 50 mil processos estão paralisados há mais de quatro meses, esperando por uma sentença.
Professor Americano Sofre Prejuízos com a Lentidão da Justiça Amazonense
O professor universitário americano Fernando Patterson é um dos muitos que sofrem com a demora do Judiciário amazonense. Ele aguarda há mais de três anos uma resposta para processos em que alega ter sofrido prejuízos superiores a R$ 1 milhão. Patterson relata ter sido vítima de chantagem, extorsão, fraude, violência física e cárcere privado, além de ter seus documentos retidos no Brasil.
“Eu acho muito triste, na verdade. Pensava que a Justiça do Brasil era mais eficiente, mas pelo o que eu estou vendo, só posso falar do meu caso, é frustrante”, desabafou o professor, que reside nos Estados Unidos mas acompanha de perto suas ações judiciais no Brasil.
Novos Juízes e a Esperança de Redução do Acúmulo de Processos
Para tentar mitigar o problema do acúmulo de processos, 23 novos juízes tomaram posse no TJAM nesta segunda-feira (13). A expectativa é que a chegada desses magistrados, que inicialmente atuarão de forma remota em comarcas do interior, possa desafogar a fila de processos pendentes.
O advogado Izaque Duarte ressalta a dificuldade enfrentada pelos juízes que acumulam responsabilidades em diversas comarcas. “Se já é difícil o trabalho apenas em uma vara, imagina o juiz responsável por uma, duas ou três comarcas?! Fica mais difícil ainda”, pontua, demonstrando otimismo com a possibilidade de os novos juízes melhorarem a celeridade.
Apesar dos desafios, o TJAM recebeu o selo diamante no Prêmio CNJ de Qualidade por três anos consecutivos, um reconhecimento que avalia critérios como produtividade, governança e transparência. No entanto, o número de processos aguardando sentenças permanece alto, com mais de 900 mil casos pendentes desde 2022.
O presidente do TJAM, Jomar Fernandes, questionou os números do CNJ, argumentando que a premiação recebida contradiz a ideia de um sistema tão sobrecarregado. “Se nós tivéssemos 1 milhão de processos à espera de uma decisão, nós não teríamos ganhado por três vezes o selo diamante”, afirmou.
Enquanto as medidas para reduzir a fila de processos avançam, cidadãos como Fernando Patterson continuam na esperança de que a Justiça amazonense apresente uma resposta definitiva e célere para seus casos.