Tragédia no Rio Negro: A busca incessante por desaparecidos no naufrágio da lancha Lima de Abreu XV completa dois meses.
Há dois meses, a embarcação Lima de Abreu XV afundava nas águas do Amazonas, em uma tragédia que ainda ecoa na região. O naufrágio, ocorrido em 13 de fevereiro deste ano, deixou cinco pessoas desaparecidas, e as buscas por elas continuam a todo vapor, sem previsão de encerramento.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mantém os trabalhos de forma intermitente, com equipes atuando duas vezes por semana. A esperança é encontrar os desaparecidos, e para isso, a tecnologia tem sido uma grande aliada, com o uso de drones, embarcações e sonares que mapeiam o leito do rio.
Essas informações foram divulgadas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e detalhadas em reportagem do g1. A comoção tomou conta dos familiares, que acompanharam de perto os trabalhos iniciais e continuam recebendo atualizações e orientações sobre o andamento das buscas.
A Lancha e o Local do Acidente
A lancha Lima de Abreu XV, pertencente à empresa Lima de Abreu Navegações, partiu de Manaus por volta das 12h30. O destino final ainda é incerto, mas a embarcação naufragou tragicamente nas proximidades do Encontro das Águas, local emblemático onde os rios Negro e Solimões se fundem.
Momentos de Pânico e o Resgate Inusitado
Vídeos gravados por passageiros retratam o desespero durante o naufrágio, com pessoas, incluindo crianças, à deriva na água. Muitos utilizavam coletes salva-vidas ou se apoiavam em botes enquanto aguardavam o socorro. As causas exatas do acidente ainda são investigadas e não foram oficialmente divulgadas.
Um dos episódios que mais marcou o resgate foi o salvamento de um bebê prematuro de apenas cinco dias. Para protegê-lo da água, familiares o colocaram dentro de um cooler, que ficou à deriva até ser encontrado pelas equipes de resgate. A mãe do bebê, que havia viajado a Manaus para o parto, também foi resgatada e ambos receberam atendimento médico.
Relatos de Tensão e Alertas Ignorados
Testemunhas relataram momentos de apreensão antes do naufrágio. Uma passageira afirmou ter alertado o piloto sobre a necessidade de reduzir a velocidade devido ao banzeiro, fortes ondas comuns na região do Encontro das Águas. Em um vídeo gravado enquanto esperava por socorro, ela expressou o pedido para que o condutor “ir devagar”.
Vítimas Identificadas e a Busca Continua
Entre as vítimas fatais estão Samila de Souza, de 3 anos, e Lara Bianca, de 22 anos. Samila foi levada a um pronto-socorro, mas já estava sem vida. Lara Bianca, estudante de odontologia, teve seu corpo resgatado e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). O corpo do cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos, foi encontrado três dias após o naufrágio.
O piloto da lancha, Pedro José da Silva Gama, que estava foragido, apresentou-se à polícia em 16 de março. Ele havia sido detido no dia do acidente, liberado após pagamento de fiança, mas teve a prisão preventiva determinada pela justiça posteriormente, visando garantir a ordem pública e a aplicação da lei.