Datafolha: Governo Lula registra 40% de avaliação negativa, aprovação cai para 29% e reprovação atinge 51%

A mais recente pesquisa do Datafolha aponta para um cenário de atenção para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação negativa do governo se manteve estável em 40%, enquanto a aprovação registrou uma queda, passando de 32% para 29%.

Consideram o governo como regular 29% dos entrevistados, um leve aumento em relação aos 26% do levantamento anterior. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que exige cautela na interpretação dos dados.

Esses números, divulgados após entrevistas realizadas de terça (7) a quinta-feira (9), indicam um momento de desafios para o Planalto, especialmente com o início da campanha eleitoral, conforme informação divulgada pelo Datafolha.

Queda na aprovação e aumento da reprovação de Lula

No que diz respeito especificamente ao desempenho de Lula na Presidência, a pesquisa aponta para um aumento na reprovação, que oscilou de 49% para 51%. Em contrapartida, a aprovação do trabalho do petista caiu de 47% para 45%.

Essa tendência de queda na aprovação e aumento na reprovação, mesmo considerando a margem de erro, sinaliza uma inversão em relação a um período anterior, quando o governo acumulava boas notícias. Desde então, diversos fatores têm contribuído para a percepção negativa.

Crises e alianças: Impactos na percepção do governo

Problemas como a crise em torno do Banco Master, que, apesar de liquidado, ainda gera repercussão, e a aliança do governo com o Supremo Tribunal Federal (STF) em defesa da democracia, que agora enfrenta questionamentos devido ao envolvimento de ministros em escândalos, parecem pesar na avaliação popular.

A aproximação com o STF, vista inicialmente como estratégica para combater o bolsonarismo, agora cobra um preço, com o envolvimento de membros da corte em investigações que afetam a imagem da instituição e, por extensão, do governo.

Classe média alta e endividamento familiar afetam avaliação

Um dos recuos mais significativos na avaliação ótima e boa do governo ocorreu entre a classe média alta, especificamente na faixa de renda de 5 a 10 salários mínimos. Essa percepção negativa pode estar ligada a uma das principais preocupações atuais, o endividamento das famílias.

A questão do crédito apertado e do endividamento afeta diversos segmentos econômicos, e a maior instrução e acesso à informação desse grupo podem correlacionar-se com uma percepção mais crítica sobre a economia e, consequentemente, sobre o governo.

Fatores externos e cenário eleitoral desafiador

Fatores exógenos, como a instabilidade na guerra do Irã, que pressiona o preço dos combustíveis e ameaça reavivar a inflação, também somam-se às preocupações. A perspectiva de manutenção de juros altos, um vilão para o orçamento familiar, agrava o quadro.

Esse cenário, que pode parecer de estabilidade superficial, exige atenção redobrada do governo, especialmente no contexto de uma campanha eleitoral que, segundo a mesma pesquisa do Datafolha, já se mostra acirrada desde o início.

Divisão socioeconômica na avaliação do governo

A pesquisa do Datafolha também detalha a avaliação do governo por estratos socioeconômicos. Os segmentos que avaliam bem Lula geralmente coincidem com seu apoio eleitoral. Mais velhos (36%), menos instruídos (43%) e nordestinos (41%) veem o governo de forma positiva acima da média.

Por outro lado, consideram o governo ruim ou péssimo os mais instruídos (49%), os sulistas (49%), os evangélicos (52%) e quem ganha mais de 10 salários mínimos (58%). As taxas de reprovação e aprovação seguem padrões semelhantes entre esses grupos.

Lula supera Bolsonaro em avaliação inicial de mandato

Apesar dos desafios atuais, a avaliação de Lula como presidente, neste momento de seu terceiro mandato, ainda se mostra superior à de seu antecessor, Jair Bolsonaro, em igual período. Bolsonaro, a esta altura de sua gestão, possuía 46% de avaliações como ruim/péssimo, 28% como regular e 25% como ótimo/bom.

O levantamento do Datafolha, que entrevistou 2.004 eleitores em 137 cidades, está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-03770/2026, fornecendo um panorama importante para as próximas eleições.