Amazonas lidera a baixa performance em desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal, segundo Atlas ODS
O Amazonas figura na última posição entre os estados da Amazônia Legal quando o assunto é desenvolvimento sustentável. Um levantamento recente, divulgado pelo projeto Atlas ODS Amazônia, revela que o estado enfrenta obstáculos consideráveis para alcançar as metas estabelecidas pela Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Os desafios se concentram em áreas cruciais como a redução das desigualdades sociais, a ampliação do acesso a serviços públicos essenciais e a melhoria da infraestrutura básica. Esses pontos são determinantes para o progresso em direção a um futuro mais justo e equilibrado.
O Atlas ODS Amazônia, ao analisar o Índice Geral dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (iODS), posicionou o Amazonas com uma média de 51,5 pontos. Este desempenho é inferior à média geral de 55,5 pontos observada nos 772 municípios da região amazônica incluídos na pesquisa. Os dados foram divulgados na última sexta-feira, dia 5, e acendem um alerta sobre a necessidade de ações mais efetivas no estado. Conforme informação divulgada pelo Atlas ODS Amazônia.
Grandes Disparidades Internas Marcando o Desenvolvimento do Amazonas
Apesar de Manaus se destacar como um dos municípios mais bem avaliados dentro da Amazônia Legal, com 66,68 pontos, a realidade do estado é marcada por profundas desigualdades internas. Essa concentração de desenvolvimento na capital contrasta fortemente com a situação de outros municípios, evidenciando um cenário de desenvolvimento sustentável fragmentado.
Enquanto Manaus lidera o ranking amazonense, São Gabriel da Cachoeira figura na última posição entre os 62 municípios analisados no estado, com apenas 43,83 pontos. Outros municípios com bom desempenho incluem Itacoatiara (57,14), Tefé (56,72), Presidente Figueiredo (56,24) e Parintins (55,90). Na outra ponta, municípios como Itamarati (46,37), Juruá (44,93), Maraã (43,97) e Pauini (43,96) enfrentam as maiores dificuldades.
Fatores que Explica a Baixa Pontuação do Amazonas
Henrique Pereira, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), explica que os resultados refletem a **forte concentração populacional e econômica em Manaus**. Essa concentração, segundo ele, gera dificuldades históricas para os municípios do interior, que lidam com limitações em infraestrutura, conectividade, educação, saúde, saneamento e oportunidades econômicas.
O principal desafio, conforme aponta Pereira, não reside no desempenho da capital, mas na **enorme distância entre a realidade de Manaus e a dos demais municípios**. Este cenário sublinha a urgência de políticas públicas focadas em **ampliar a integração territorial e reduzir as desigualdades regionais** dentro do Amazonas.
ODS Críticos e a Plataforma Atlas ODS Amazônia
O levantamento identificou que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que mais desafiam o Amazonas são aqueles voltados à **erradicação da pobreza (ODS 1), fome zero e agricultura sustentável (ODS 2) e indústria, inovação e infraestrutura (ODS 9)**. Esses resultados reforçam a necessidade de políticas públicas direcionadas para a redução das disparidades e para a garantia de acesso a serviços e oportunidades.
Em paralelo à divulgação do diagnóstico, foi lançada a **Plataforma Digital Atlas ODS Amazônia**. Esta ferramenta é um importante recurso que reúne 109 indicadores de 772 municípios da Amazônia Legal. Seu objetivo é capacitar gestores públicos, pesquisadores, jornalistas e a sociedade civil a acompanhar o progresso das metas de desenvolvimento sustentável.
A plataforma visa promover a **transparência pública e fortalecer a governança local**, facilitando a identificação de prioridades para a formulação de políticas mais eficazes. O Atlas ODS Amazônia monitora o cumprimento dos 18 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU para 2030.