O Departamento de Defesa dos Estados Unidos elevou ao nível máximo, considerado “crítico”, a avaliação de ameaça de contraespionagem atribuída a Israel. Segundo relatórios de inteligência, há suspeitas de que agências israelenses tenham grampeado negociações americanas com o Irã, incluindo conversas de altos funcionários do governo dos EUA.
Documentos da Agência de Inteligência de Defesa (DIA) e de outros setores militares apontam que Israel intensificou esforços para monitorar as posições norte-americanas nas discussões sobre um possível acordo de paz com Teerã. Entre os alvos estariam Steve Witkoff, negociador de Donald Trump, e Elbridge A. Colby, principal autoridade política do Pentágono.
Embora EUA e Israel mantenham há décadas uma relação de espionagem mútua tolerada, a escalada recente ultrapassou limites aceitáveis, segundo funcionários americanos. O novo nível de alerta supera o de qualquer outro aliado e até mesmo o de alguns adversários.
A cooperação militar entre os dois países nunca foi tão estreita — especialmente no contexto da guerra contra o Irã —, mas o episódio pode gerar restrições ao compartilhamento de informações sensíveis. Fontes relataram casos concretos, como a instalação clandestina de softwares de grampo em telefones de militares dos EUA em Israel.
O governo israelense e a Embaixada em Washington negaram as acusações. A Casa Branca classificou a notícia como falsa, mas o Pentágono não se manifestou oficialmente.
A tensão ocorre em meio a divergências estratégicas: Trump busca um acordo de paz com o Irã, enquanto o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, pretende ampliar a degradação do regime iraniano. O uso de celulares pessoais por autoridades americanas, segundo analistas, tem tornado alvos ainda mais vulneráveis a escutas.
Incidentes semelhantes já haviam sido registrados em anos anteriores, incluindo tentativas de instalação de dispositivos de escuta em sedes da inteligência militar e em veículos do Serviço Secreto dos EUA.