Comprar passagem aérea agora ou esperar? A decisão pode custar caro para o seu bolso.

O preço do querosene de aviação (QAV) sofreu um reajuste de 55% anunciado pela Petrobras, e especialistas alertam que esse aumento deve ser repassado aos passageiros em breve. A instabilidade geopolítica global, com especial atenção à guerra no Irã, já gerava expectativa de alta nos combustíveis, e o QAV não é exceção.

Para quem planeja viajar de avião, a recomendação unânime é antecipar a compra das passagens. A professora de Economia dos Transportes Aéreos da UFPE, Viviane Falcão, aconselha: “Se eu pudesse dar um conselho neste momento, seria para comprar a passagem o quanto antes”.

O impacto do aumento do QAV nas passagens aéreas pode chegar a 15% ou 20% nos próximos meses, segundo projeções. Essa alta reflete não apenas o reajuste recente, mas também o custo do petróleo no mercado internacional, que tem sido impulsionado por conflitos e disrupções na oferta. Conforme informação divulgada pela Petrobras e analisada por especialistas, o querosene de aviação representa cerca de um terço dos gastos operacionais das companhias aéreas, podendo chegar a 45% com os recentes reajustes.

Impacto Direto no Bolso do Viajante

O querosene de aviação, assim como outros derivados do petróleo, é uma commodity cujos preços são influenciados pelo mercado internacional. A guerra no Irã, por exemplo, tem gerado uma disrupção na oferta de gás e petróleo, elevando os custos globais. “A gente vai ter que se adaptar a essa conjuntura negativa que o mundo está vivendo, a gente não pode isolar o Brasil do que está acontecendo no mundo, e as pessoas têm que entender que, infelizmente, tem uma conta para pagar”, afirma o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie).

As companhias aéreas, que geralmente fecham contratos de combustível com antecedência, podem ter esse prazo de proteção encurtado devido à demanda crescente, especialmente com a chegada das férias e do segundo semestre. A alta do QAV pode levar as empresas a reduzir o número de voos, uma tendência já observada em outros países, o que, combinado com a retomada do volume de passageiros, tende a resultar em voos ainda mais lotados.

Medidas do Governo e Petrobras para Mitigar o Impacto

Em resposta à escalada de preços, a Petrobras anunciou condições de pagamento especiais para distribuidoras de combustível da aviação. A proposta inclui um aumento inicial de apenas 18% no QAV, com o restante parcelado em até seis vezes a partir de julho de 2026. Essa medida visa diluir o impacto imediato no preço das passagens aéreas.

O Ministério de Portos e Aeroportos também encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta com ações para aliviar a pressão sobre o setor aéreo. Entre as sugestões estão a redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação, a diminuição do IOF para operações financeiras das companhias aéreas e a redução do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves. Uma nova linha de crédito do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para financiar a compra de combustível também está em análise.

O Futuro do Transporte Aéreo no Brasil

Para o economista Adriano Pires, voar de avião é um serviço “sem substituto” no Brasil, dada a falta de alternativas eficientes de transporte de longa distância, como trens, e as condições das rodovias. A dependência do transporte aéreo se torna ainda mais acentuada em regiões como a Norte, onde o transporte fluvial predomina.

Viviane Falcão ressalta que a população pode acabar pagando o preço por décadas de negligência do Estado com o setor aéreo. A Petrobras, ao oferecer condições de pagamento flexíveis, corre o risco de sofrer com a retenção desses custos, e a sustentabilidade dessas medidas dependerá da conjuntura geopolítica internacional, que permanece incerta.

As companhias aéreas brasileiras operam atualmente com uma taxa de ocupação média de 90%, um índice considerado alto e que já demonstra a pressão sobre a oferta. A combinação de aumento de custos de combustível e alta demanda sinaliza um período de desafios para o setor e para os viajantes.