Hotéis nos EUA registram baixa procura por reservas antes da Copa do Mundo 2026, contrariando expectativas
A proximidade da Copa do Mundo Fifa de Futebol Masculino 2026 nos Estados Unidos, que promete agitar cidades como Kansas City, Houston, Miami e Nova York, não está se traduzindo em um aumento significativo nas reservas de hotéis. Apesar da forte campanha de marketing com outdoors e produtos temáticos, o setor hoteleiro demonstra preocupação com a baixa adesão até o momento.
Uma pesquisa recente da Associação Americana de Hotéis e Acomodações (AHLA) revela que a maioria dos hotéis nas cidades-sede da Copa do Mundo está com níveis de reserva inferiores aos registrados no mesmo período do ano anterior. Essa situação surpreendente tem gerado decepção entre os proprietários, que esperavam um grande impacto econômico do evento esportivo.
A expectativa inicial era de um fluxo expressivo de turistas e fãs de futebol, impulsionando a ocupação hoteleira. No entanto, a realidade atual aponta para um cenário diferente, com muitos estabelecimentos classificando o torneio como um “evento irrelevante” em termos de impacto nas reservas. Conforme informação divulgada pela AHLA, oito em cada 10 hotéis nas cidades-sede da Copa estão observando uma demanda inferior à esperada, e o ritmo de reservas está abaixo dos níveis habituais de verão.
Fatores Econômicos e Políticos Afetam Reservas Hoteleiras
Deidre Mathis, proprietária do Wanderstay Boutique Hotel em Houston, expressou sua perplexidade com a situação. Ela mencionou que, em fevereiro, março e abril, as reservas para o período do torneio ainda não haviam esgotado, algo incomum. O hotel dela, localizado a poucos quilômetros da zona de torcedores e do estádio, está com 45% da capacidade reservada, comparado a 70% no mesmo período do ano passado.
Mathis aponta o “clima político” durante o segundo mandato do ex-presidente Donald Trump, incluindo batidas migratórias, como um dos fatores. Ela também cita o aumento do custo de vida, influenciado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, e os preços considerados “extraordinariamente” altos dos ingressos para as partidas. O próprio ex-presidente Trump comentou que “também não pagaria” pelos ingressos, cujos valores para a final podem chegar a mais de US$ 2 milhões no mercado de revenda.
Rosanna Maietta, presidente e diretora-executiva da AHLA, corroborou que a guerra no Irã é um dos fatores. Ela sugere, ainda, que parte dos torcedores pode estar aguardando a definição exata das sedes dos jogos de suas seleções antes de confirmar as reservas.
Custo de Ingressos e Incapacidade de Acesso Desencorajam Torcedores
Hamish Husband, da Associação de Clubes do Tartan Army (torcedores da seleção escocesa), que planeja gastar até US$ 13 mil para acompanhar a Escócia, destacou o “preço exorbitante dos ingressos imposto pela Fifa” como o principal problema. Ele considera um “escândalo” pagar US$ 1 mil para assistir a um jogo como Escócia x Haiti.
Husband relata que moradores com salários medianos no México não conseguem acesso às entradas. Ele elogiou os esforços do Canadá para controlar os preços abusivos de cambistas. A participação da Escócia na Copa do Mundo, a primeira desde 1998, motivou muitos torcedores a viajar, mas o alto custo dos ingressos é uma barreira significativa.
Gerentes Hoteleiros Buscam Estratégias para Atrair Público
Em Kansas City, Stephen Jenkins, gerente do Fontaine Hotel, afirma que a situação das reservas está similar à do ano passado, sem o aumento esperado. Ele lamenta a falta do “pico” que se imaginava com a realização do torneio na cidade, descrevendo a experiência como “única na vida”.
Apesar da decepção inicial, Jenkins observou um leve aumento nas reservas após o anúncio da tabela de jogos e espera uma aceleração à medida que as partidas se aproximam. O hotel planeja uma “Copa Culinária”, com pratos temáticos inspirados nos países que jogarão em Kansas City, e a expectativa é que o Fifa Fan Festival seja um “fator determinante” para atrair público.
Manuel Deisen, gerente-geral do Hotel InterContinental Buckhead em Atlanta, também relata um volume de consultas e reservas abaixo do habitual. Ele, contudo, prevê um “pico de última hora”, acreditando que muitos torcedores estão esperando o último momento para confirmar suas estadias. O hotel também está integrando o Mundial à sua programação de verão, com transmissão de jogos e eventos temáticos.
Fifa Afirma Alta Demanda por Ingressos, Mas Críticas Persistem
A Fifa, por sua vez, declarou que a demanda por ingressos “não tem precedentes”, com mais de cinco milhões de entradas já vendidas. Um porta-voz da entidade afirmou que a “expectativa continua aumentando frente ao maior evento esportivo do planeta”.
Em resposta às críticas sobre os preços, a Fifa informou que alguns ingressos foram vendidos por apenas US$ 60, e que os preços mais altos visam combater a especulação. Para facilitar a vinda de torcedores, a Casa Branca criou um grupo de trabalho especial e isentou torcedores de 50 países da exigência de depósito para o visto, desde que apresentem ingressos válidos.