Ex-aliado de Trump prevê escalada global do terrorismo e ações de proxies iranianos se conflito se estender
A atual crise no Oriente Médio, se prolongada, pode ter consequências que transcendem a região, aumentando significativamente o risco de atos terroristas e de ações orquestradas pelo Irã através de seus aliados globais. A avaliação é de Clarke Cooper, ex-subsecretário de Estado para assuntos político-militares durante a primeira administração de Donald Trump.
Cooper argumenta que, mesmo com recentes contratempos em sua capacidade militar, o Irã possui meios para retaliar e desestabilizar a segurança internacional. Esses meios incluem o uso de grupos como o Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano e os houthis no Iêmen, que operam como extensões da influência iraniana.
A análise, divulgada pela BBC News Brasil, sugere que o prolongamento do conflito eleva as chances de Teerã empregar suas chamadas “capacidades assimétricas”, estratégias não convencionais que visam explorar as vulnerabilidades de adversários mais fortes sem confronto militar direto. Conforme informação divulgada pela BBC News Brasil, Clarke Cooper é um diplomata e ex-integrante do Departamento de Estado americano da primeira administração Trump.
O Perigo das Guerras por Procuração e o Legado do Terrorismo
O especialista enfatiza que o Irã tem historicamente utilizado “guerras por procuração”, onde utiliza terceiros para atingir seus objetivos estratégicos sem se engajar diretamente em combate. Essa prática, segundo Cooper, tem sido uma constante desde a invasão da embaixada dos EUA em Teerã em novembro de 1979, um evento que marcou o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países.
Desde então, os Estados Unidos acusam o Irã de ser o principal “patrocinador estatal do terrorismo no mundo”. O apoio financeiro ao chamado “eixo da resistência”, que inclui grupos como Hamas, Hezbollah e houthis, é visto como parte fundamental da estratégia iraniana para consolidar sua influência regional. Muitos desses grupos são classificados como organizações terroristas por países ocidentais.
Cooper aponta que as consequências dessa política podem ser sentidas em todo o Ocidente, com ligações a atos terroristas específicos que ocorreram desde 1979. Ele descreve uma “continuidade de atos de perturbação e terrorismo” com um alcance transregional, não se limitando apenas ao Oriente Médio.
EUA Buscam Pragmatismo para Encerrar o Conflito
Apesar das preocupações com a expansão do conflito, Cooper expressa confiança na capacidade dos Estados Unidos de tomar decisões pragmáticas para encerrar a guerra assim que seus objetivos forem alcançados. Ele descarta a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial ou de um conflito nuclear iminente, citando a existência de linhas de comunicação abertas entre Teerã e Washington.
“Todas as partes aparentemente querem chegar a um ponto em que mísseis parem de cair e drones parem de atacar”, afirma Cooper, ressaltando que as autoridades envolvidas buscam mitigar riscos, incluindo o nuclear. Ele acredita que a decisão sobre o fim do conflito dependerá em grande parte da avaliação estratégica dos EUA.
Na visão do ex-subsecretário, Donald Trump analisará a situação de forma pragmática, considerando tanto os aspectos militares quanto os internos. A estratégia americana, segundo ele, obteve sucesso em degradar as capacidades do Irã, e a questão agora é determinar se essas capacidades foram levadas a um ponto sem retorno, o que poderia justificar o encerramento das operações.
Trump Evita Guerra Terrestre e Críticas à Estratégia Americana
Cooper reafirma que Donald Trump não tem interesse em uma guerra terrestre prolongada no Irã, preferindo depender do poder aéreo. A experiência de Trump com conflitos que exigiram envio de tropas terrestres de longa duração é um fator que ele não deseja repetir, segundo o ex-subsecretário.
No entanto, críticos apontam que o governo Trump tem sido vago quanto aos seus objetivos de longo prazo contra o Irã e que houve contradições nas declarações oficiais sobre o conflito. Os objetivos iniciais anunciados incluíam a destruição das capacidades de mísseis e da Marinha iraniana, impedir o desenvolvimento de armas nucleares e coibir o financiamento de “exércitos terroristas”.
A justificativa para as ações conjuntas com Israel também gerou questionamentos, com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, indicando que a decisão de atacar foi tomada após conhecimento de uma operação iminente de Israel contra o Irã. Críticos democratas questionaram a falta de clareza sobre o programa nuclear iraniano e as alegações de ameaça iminente.
Preocupações Regionais e Histórico de Confronto
Cooper reconhece que não apenas os EUA, mas também vários vizinhos do Irã no Oriente Médio, veem o país persa como uma ameaça potencial. A busca do Irã por capacidades nucleares e de mísseis balísticos, juntamente com seu apoio a grupos paramilitares e terroristas, são preocupações de segurança nacional que se estendem por décadas.
Ele também observa que a postura firme em relação ao programa nuclear iraniano não é exclusiva do governo Trump, remontando a administrações anteriores, incluindo as de Barack Obama, George W. Bush e Jimmy Carter. A avaliação, segundo Cooper, é que as negociações não estavam avançando e uma resposta militar se tornou necessária.
As ações militares dos EUA e de Israel foram criticadas pelo Secretário-Geral da ONU, António Guterres, que afirmou que os ataques violaram o direito internacional. Nos EUA, membros do Partido Democrata também argumentam que apenas o Congresso tem autoridade para declarar guerra, embora o presidente possa conduzir certas operações militares como comandante-em-chefe.