Brasileiros vivem dias de apreensão no Oriente Médio com fechamento do espaço aéreo e ataques na região
O fechamento do espaço aéreo, relatos de mísseis sobre áreas residenciais e restrições de deslocamento marcam a rotina de brasileiros no Oriente Médio. Apesar de se sentirem seguros, eles compartilham a incerteza sobre quando conseguirão retornar para casa.
Desde o início dos ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã, brasileiros em Dubai, Teerã e outras cidades da região vivenciam momentos de medo. A situação se agravou com o fechamento de aeroportos e a instabilidade nas comunicações.
As tensões aumentaram após os EUA e Israel justificarem suas ofensivas como medidas para conter o programa nuclear iraniano. O Irã, por sua vez, nega veementemente a busca por armas nucleares, afirmando que seu programa é exclusivamente pacífico. Essas informações foram divulgadas pelo g1.
Mísseis cruzam o céu perto de famílias brasileiras
O médico Abdel Latif, que mora em Valinhos, São Paulo, expressou sua preocupação com a segurança de sua família em uma aldeia na fronteira entre Cisjordânia e Israel. Ele relatou que os mísseis disparados pelo Irã em direção a Israel passam sobre a casa de seus parentes.
“Minha família mora numa aldeia perto da cidade de Belém. Fica na fronteira entre Cisjordânia e Israel (…) Irã está atacando o país que atacou primeiramente. Então, está atacando Israel. Os mísseis que chegam a Israel passam em cima da casa da minha família”, explicou o médico.
Turistas e residentes impedidos de deixar Dubai
Em Dubai, um grupo de cerca de 30 amazonenses integrantes do movimento Legendários ficou impossibilitado de sair dos Emirados Árabes Unidos após o fechamento do espaço aéreo. O advogado Leno Gomes utilizou as redes sociais para descrever a situação.
“Terminamos o Top [evento] e descemos a montanha com muito êxito, e aí estourou a guerra. Não pudemos sair daqui por conta da segurança. Eles fecharam o espaço aéreo, fecharam todas as vias de acesso a outros lugares, ou seja, nós não podemos sair, no entanto, estamos seguros e bem”, disse Gomes.
Outro grupo de 36 pessoas, vindo de Sergipe, encontra-se hospedado em um hotel em Dubai com abrigo subterrâneo. O engenheiro civil Iago Menezes comentou que os primeiros dias foram tensos, mas que o governo local e a Embaixada do Brasil têm oferecido suporte.
Atletas e influenciadores relatam tensão e cancelamentos
O meio-campista alagoano Éliton Arábia, ídolo no Oriente Médio, gravou um vídeo expressando sua preocupação. “Estamos naquela tensão ainda. Hoje, interceptaram um míssil aqui perto […] Estou começando a ficar preocupado. Eles falam que está sob controle, mas ainda estão tendo muitos ataques. Situação complicada. Fecharam o aeroporto, ninguém sai e ninguém entra”, relatou o atleta.
A ex-participante do BBB19, Elana Valenária, também viveu momentos de apreensão durante suas férias em Dubai, relatando ter ouvido explosões do hotel onde estava hospedada. O casal Bruna e Marcos Moreira, de Brasília, teve seu voo desviado para Omã após o fechamento do espaço aéreo do Catar, onde teriam pouso.
A influenciadora digital Ana Lorenzetti, acompanhada de um grupo de 17 turistas, recebeu alertas de mísseis e drones em Dubai logo após o embarque em um cruzeiro. “O momento mais tenso foi na noite do sábado, quando o governo mandou alertas, o que deu medo. Alertas no nosso celular, pedindo para ficar em segurança por causa dos alertas de mísseis. Tivemos uma noite de nervosismo, tensão, mas onde tudo ontem foi voltando aos trilhos”, disse Lorenzetti.
Brasileiros em Teerã descrevem o impacto dos bombardeios
William Salvino, tricampeão mundial de jiu-jítsu, estava em Teerã treinando a seleção local quando os primeiros bombardeios começaram. Ele descreveu o momento em uma mensagem para a noiva: “Quando ouvi o primeiro bombardeio, chegou até a estremecer o prédio que eu estava, de tão forte que foi. Levantei meio atordoado, sem saber onde estava ainda. Muitas pessoas correndo com a mão na cabeça”.
O médico Sandro Benites, diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes de Campo Grande, teve seu voo de volta ao Brasil cancelado e permanece em Dubai, onde estava de férias desde 19 de fevereiro.
Um gaúcho residente em Dubai há 10 anos, Fabricio Leite, compartilhou os momentos de temor vividos com sua família. Ele recebeu dois alertas de emergência em seu celular em sete minutos, informando sobre “ameaça potencial de míssil” e pedindo para que buscassem “abrigo imediato na construção segura mais próxima”.
Um grupo de 22 moradores do Espírito Santo está em um navio em um porto de Dubai, sem previsão de retorno ao Brasil. Eles receberam a notícia dos bombardeios durante o jantar, quando mísseis e drones já haviam atingido a região.
Dados sobre vítimas e o desenrolar do conflito
Os ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã tiveram início na manhã de sábado, dia 28. O Crescente Vermelho do Irã informou, em atualização na segunda-feira, dia 2, que 555 pessoas foram mortas desde o início dos ataques ao país. O Irã retaliou disparando mísseis contra Israel e bases militares americanas no Oriente Médio.
Os Estados Unidos reportaram a morte de três militares desde o começo da guerra. O presidente americano, Donald Trump, prometeu vingança, afirmando: “Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização”, declarou o presidente no domingo.