Evangélicos se Tornam a Maior Religião Declarada na Coreia do Sul, Superando o Budismo em Crescimento e Influência
Em uma reviravolta surpreendente no panorama religioso sul-coreano, o cristianismo evangélico emergiu como a confissão com o maior número de adeptos declarados. Segundo dados divulgados pela Korea Research, os protestantes representam 20% dos sul-coreanos, ultrapassando em 4 pontos percentuais aqueles que se identificam como budistas, uma religião com raízes milenares no país.
O catolicismo também figura entre as principais crenças, alcançando 11% da população. No entanto, um dado marcante da pesquisa é que mais da metade dos sul-coreanos, 51%, declararam não possuir religião, indicando uma crescente secularização na sociedade.
Essa ascensão do cristianismo evangélico não é um fenômeno recente, mas sim um processo consolidado ao longo das últimas décadas. Conforme informações da Korea Research, os evangélicos mantêm uma participação constante na casa dos 20% desde 2015, com um pico de 22% registrado em 2019. O budismo e o catolicismo apresentaram pouca variação nesse mesmo período, reforçando a liderança evangélica.
Uma História de Fé e Resistência na Coreia
A introdução do cristianismo na Coreia do Sul remonta à década de 1780, quando missionários, após terem contato com textos religiosos na China, iniciaram encontros secretos. Inicialmente, a prática cristã enfrentou severas proibições e perseguições, marcando um período de intensa dificuldade para os primeiros fiéis.
As primeiras comunidades protestantes organizadas surgiram na década de 1860, fundadas por comerciantes. Contudo, foi na década de 1880 que a chegada de missionários protestantes ocidentais, especialmente da América do Norte, intensificou a expansão da fé. Este período coincidiu com um momento de profunda crise nacional, agravada pela ocupação japonesa.
O Apelo Multifacetado do Cristianismo Evangélico
O crescimento do cristianismo na Coreia do Sul foi impulsionado por uma combinação de fatores. O artigo “Cristianismo na Coreia Moderna” de 2006 aponta que o apelo da religião era tanto espiritual quanto econômico, associado à modernidade ocidental e ao acesso à educação.
Além disso, o cristianismo também adquiriu um caráter nacionalista, servindo como uma expressão da sociedade civil coreana que buscava afirmar sua identidade diante da influência e controle japoneses. Essa confluência de fatores contribuiu significativamente para a sua disseminação.
A Igreja do Evangelho Pleno de Yoido: Um Marco do Protestantismo Sul-Coreano
Ao caminhar pelas ruas de Seul, é impossível ignorar a presença de igrejas e símbolos cristãos. Um dos templos que mais se destaca na capital sul-coreana é a Igreja do Evangelho Pleno de Yoido, reconhecida como a maior congregação cristã pentecostal do país.
Com uma estrutura imponente de mais de 7.000 metros quadrados e uma cruz proeminente, o templo foi certificado pelo Guinness Book em 1997 como a maior congregação do mundo. Estimativas locais apontam para cerca de 800 mil membros, com a própria congregação registrando 500 mil integrantes já em 1985, demonstrando a magnitude e o alcance do movimento evangélico na Coreia do Sul.