Parintins se prepara para o Festival Folclórico com megaestrutura e segurança reforçada para receber mais de 120 mil turistas.

No coração da Amazônia, onde o Rio Amazonas dita o ritmo da vida, a ilha de Parintins se prepara para receber um fluxo turístico que mais que dobra sua população. O motivo é o renomado Festival Folclórico de Parintins, um dos maiores patrimônios culturais do Brasil, que celebra a rivalidade entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido.

A cidade, que abriga pouco mais de 96 mil habitantes, espera a chegada de cerca de 120 mil visitantes na edição de 2026, que acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho. A Amazonastur projeta que esse “rio” de gente injete mais de R$ 220 milhões na economia local, impulsionando o comércio, a hotelaria e o turismo.

“Parintins não se explica, sente-se. É uma ilha-coração que pulsa no compasso da toada, onde a floresta se veste de seda e as lendas amazônicas ganham vida em estruturas monumentais”, descreve Igor Vinícius, morador da ilha. Conforme informações divulgadas pela Amazonastur e pelo g1, o festival movimenta a economia e a cultura local de forma impressionante.

A engenharia e arte dos bois gigantes que encantam o Brasil

Os galpões das agremiações são verdadeiras usinas de criatividade, onde artistas e operários dedicam meses à produção das monumentais alegorias. São mais de 2.500 trabalhadores envolvidos diretamente na criação de estruturas que podem ultrapassar os 25 metros de altura, o equivalente a um prédio de oito andares, e se estender por mais de 60 metros de largura.

A construção em módulos separados e o rigoroso sigilo sobre os temas e técnicas são estratégicos para evitar vazamentos para o boi rival. A “operação de translado”, quando os módulos são levados manualmente pelas ruas até o Bumbódromo, é um momento de grande emoção, culminando meses de trabalho árduo.

Garantido e Caprichoso: Corações pulsantes da cultura parintinense

A ilha se divide não apenas nas torcidas, mas também nos centros de criação dos bois. A Cidade Garantido, no bairro da Baixa do São José, é o reduto do boi vermelho e branco, onde o trabalho é movido pela paixão comunitária e o foco está na expressividade das esculturas e na engenharia de movimentos.

Já o Boi Caprichoso centraliza suas operações no Galpão das Artes Mestre Jair Mendes, um espaço que homenageia o artista que revolucionou o festival. O boi azul e branco se destaca pela organização quase fabril, infraestrutura de ponta e pelo acabamento impecável de suas alegorias, que frequentemente utilizam novas tecnologias e materiais leves.

Desafios de hospedagem e segurança para um mar de turistas

Acomodar uma multidão desse porte em uma ilha fluvial exige planejamento. Com os hotéis operando em capacidade máxima, os moradores transformam suas casas em pousadas temporárias, e o mercado imobiliário para o período do festival atinge valores expressivos. Segundo o g1, o aluguel de imóveis pode chegar a R$ 247 mil.

Para garantir a segurança de todos, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM) mobiliza uma força-tarefa com mais de 1.100 servidores, incluindo policiais militares, civis, peritos e bombeiros, além de 90 viaturas e lanchas blindadas. O efetivo representa um aumento de 10% em relação a 2025.

Infraestrutura e acolhimento: Ações do Governo do Estado e Amazonastur

Além do aparato de segurança, o Governo do Estado e a Amazonastur implementam ações para melhorar a infraestrutura urbana e o acolhimento aos visitantes. A Estação do Turismo oferece informações e passaportes culturais, enquanto o aplicativo Amazonas To Go mapeia opções de hospedagem, restaurantes e transporte.

A Praça Gastronômica valoriza empreendedores locais com a culinária típica da região, e o ordenamento dos tricicleiros, com a padronização de uniformes, visa trazer mais segurança e organização para o transporte na ilha. Essas iniciativas demonstram o compromisso em oferecer uma experiência completa e segura para todos que visitam Parintins durante o festival.