Copa 2026 sob alerta: Sinais indicam possível “fracasso colossal” para evento nos EUA
A Copa do Mundo de 2026, que terá a maior parte de seus jogos sediada nos Estados Unidos, pode se tornar um “fracasso colossal”, segundo um alerta emitido pela revista norte-americana Newsweek. Apesar das projeções otimistas, o cenário atual revela baixa ocupação hoteleira e uma venda de ingressos que ainda não atingiu as expectativas.
A publicação aponta dados preocupantes que contrastam com a visão da FIFA, que vê o evento como uma oportunidade crucial para o futebol, especialmente nos Estados Unidos. O país sediará 78 das 104 partidas, incluindo a grande final. No entanto, a realidade econômica parece distante do ideal.
Esses indícios levantam questionamentos sobre a capacidade de o evento gerar o impacto econômico previsto. A expectativa é que os dados finais revelem um desempenho aquém do projetado pelo presidente da FIFA em 2025, levantando debates sobre as estratégias de divulgação e precificação.
Expectativas econômicas versus realidade: O que dizem os números
Um estudo conjunto da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da FIFA, divulgado no ano passado, previa um impacto econômico bruto de US$ 80,1 bilhões, com US$ 30,5 bilhões destinados aos Estados Unidos. A Associação de Viagens dos EUA estimava que cada visitante gastasse mais de US$ 5.000, um valor 1,7 vez superior ao de viagens internacionais típicas para o país.
Contudo, a um mês do início do torneio, a situação é diferente. Muitos ingressos ainda estão disponíveis, e os preços sofreram quedas significativas. Ingressos para a partida entre Arábia Saudita e Cabo Verde, que custavam US$ 600 em dezembro de 2025, agora podem ser encontrados por cerca de US$ 160.
As reservas de voos europeus para os EUA em julho caíram 14% em comparação com o ano anterior, segundo dados da Cirium citados pela Newsweek. Nas cidades anfitriãs, as reservas para junho registraram quedas de 5% vindas da Europa e 3,6% da Ásia.
Hotéis sofrem com baixa ocupação e perdas financeiras
Vijay Dandapani, presidente e CEO da Associação de Hotéis da Cidade de Nova York, informou à Newsweek que, apesar da previsão de 1,2 milhão de visitantes internacionais adicionais, as reservas na cidade aumentaram apenas “no máximo 10% em relação ao ano anterior”. Com isso, os hotéis nova-iorquinos esperam um prejuízo de mais de US$ 100 milhões em receita de hospedagem.
A baixa adesão pode ser atribuída a diversos fatores, conforme apontado pela reportagem. O **medo das políticas de imigração** nos Estados Unidos e os **preços considerados exorbitantes dos ingressos**, mesmo para jogos de menor apelo, afastam o público.
Uma análise do The Guardian em dezembro revelou que os ingressos mais baratos para a Copa de 2026 custam cerca de seis vezes mais do que a média registrada entre 2006 e 2022. O presidente da FIFA defendeu os valores, mas a questão dos preços altos se tornou um ponto sensível.
Opiniões divididas: De Trump a torcedores
Até mesmo figuras políticas comentaram sobre os altos preços. Em entrevista ao New York Post, Donald Trump, ao ser questionado sobre o valor de US$ 1.000 para o jogo de estreia da seleção da casa contra o Paraguai, declarou: “Para ser sincero, eu também não pagaria”.
A FIFA, por sua vez, descreve a competição como uma **oportunidade crucial para o futebol** e para os Estados Unidos. Gianni Infantino, presidente da entidade, enfatizou o potencial do evento, que ocorrerá em 16 cidades norte-americanas, com a maior parte dos jogos concentrada nos EUA.
Apesar das declarações otimistas da FIFA, os dados apresentados pela Newsweek pintam um quadro de **desafios significativos** para a Copa do Mundo de 2026. A combinação de baixa ocupação hoteleira, vendas de ingressos abaixo do esperado e preços elevados levanta sérias dúvidas sobre o sucesso do evento.