Hezbollah questiona trégua: “Não tem sentido” se Israel continuar ataques
Um importante político do Hezbollah, Ali Fayyad, parlamentar e fundador do partido, declarou nesta sexta-feira (24) que o cessar-fogo com Israel **perde seu propósito** se as agressões israelenses contra o Líbano persistirem. A declaração surge em meio a dúvidas sobre a efetividade do acordo de trégua, que entrou em vigor em 16 de abril e teve sua duração estendida.
Fayyad enfatizou o que chamou de **direito de resposta** do Hezbollah diante do que ele descreve como “agressão” por parte de Israel. As críticas do parlamentar miram a extensão da trégua, anunciada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quinta-feira, após denúncias de violações israelenses por parte do governo libanês.
Apesar da prorrogação do cessar-fogo, que deve durar pelo menos até meados de maio, **ataques pontuais continuam sendo registrados** em ambos os lados. Israel alega que o Hezbollah tem disparado foguetes, enquanto o Líbano denuncia bombardeios israelenses. O cenário de instabilidade no sul do Líbano, onde tropas israelenses mantêm uma faixa de segurança, levanta sérias questões sobre a sustentabilidade do acordo.
Trocas de ataques desafiam a trégua renovada
Na quinta-feira, o grupo extremista libanês **lançou foguetes contra o norte de Israel**, que foram interceptados pelas defesas israelenses. No dia anterior, quarta-feira (22), pelo menos cinco pessoas morreram em um **bombardeio israelense no sul do Líbano**, incluindo uma jornalista de 43 anos. Esses incidentes demonstram a fragilidade do cessar-fogo, mesmo com a intervenção diplomática de Donald Trump.
Diplomacia em curso e objetivos divergentes
Donald Trump anunciou em suas redes sociais que se reuniu com autoridades de alto escalão de Israel e do Líbano na Casa Branca para discutir a situação. Ele expressou a expectativa de receber em breve o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, para novas negociações. No entanto, os objetivos de cada lado divergem significativamente.
Enquanto o governo libanês considera a **extensão do cessar-fogo uma condição prévia** para discutir a retirada das tropas israelenses e a definição da fronteira, Israel busca o **desmantelamento do Hezbollah** e garantias de segurança. Essa diferença de perspectivas dificulta a consolidação de uma paz duradoura na região.
Contexto histórico e persistência do conflito
Líbano e Israel permanecem oficialmente em estado de guerra desde a criação de Israel em 1948. O Hezbollah, apoiado pelo Irã, lidera a ofensiva do lado libanês. O confronto foi retomado no início de março, após ataques de EUA e Israel contra o Irã, resultando em quase 2.500 mortes no Líbano, segundo o governo. O Hezbollah afirma ter o “direito de resistir” à presença israelense em seu território, enquanto Israel alega o direito de se defender de ações classificadas como terroristas.
Efetividade do cessar-fogo em xeque
Apesar da renovação do cessar-fogo, a continuidade dos ataques levanta sérias dúvidas sobre sua efetividade. A situação no sul do Líbano continua **altamente instável**, com registros de confrontos mesmo após o acordo. A persistência das hostilidades sugere que a paz na região ainda é um objetivo distante, dependente de avanços diplomáticos significativos e da resolução das divergências fundamentais entre as partes envolvidas.