Delegado e investigador presos em Manaus por extorsão contra empresário têm prisão convertida para preventiva

O delegado da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Fabiano Rosas, e um investigador da PC-AM, Charles Rufino, foram presos na última quinta-feira (17), sob suspeita de extorquirem R$ 30 mil de um empresário. Eles também são acusados de apreenderem a arma de um policial militar que escoltava o dinheiro. As prisões em flagrante foram convertidas para preventiva após audiência de custódia.

O caso chocou a sociedade manauara, levantando sérias questões sobre a conduta de agentes da lei. A Polícia Civil, a Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) foram contatadas pelo g1 para comentar o ocorrido, mas aguardam retorno. A defesa do delegado também está sendo procurada.

Segundo informações da Polícia, os dois policiais civis teriam se dirigido a uma embarcação atracada na Balsa Amarela, no Porto de Manaus, onde estava o empresário com o dinheiro e um policial militar de segurança. Nenhum dos policiais envolvidos na segurança foi identificado formalmente pela reportagem.

Abordagem e extorsão em Manaus

De acordo com a investigação, o delegado Fabiano Rosas e o investigador Charles Rufino teriam pressionado o empresário, que admitiu possuir R$ 30 mil na embarcação. Em seguida, o empresário e o policial militar foram levados em uma viatura descaracterizada do 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que circulou pela Zona Sul de Manaus.

O delegado Marcelo Martins, do 24º DIP, relatou que empresários informaram ter sido vítimas de abordagens semelhantes, onde o dinheiro era “apreendido” sem a devida formalização da ocorrência. Para ele, a ação configurou o crime de extorsão.

“A partir disso, eu concluí que teve o crime de extorsão e lavrei o auto de prisão em flagrante em relação a um delegado e um investigador. Eles vão ser encaminhados à audiência de custódia. Nós estamos adotando os outros procedimentos cabíveis com a comunicação à corregedoria para que todas as providências legais sejam adotadas”, explicou o delegado Martins.

Prisão em flagrante e resistência

Após serem liberados em uma avenida, o policial militar acionou a Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam). A equipe localizou o carro, sem saber que os ocupantes eram policiais civis. Dentro do veículo estava apenas o delegado Fabiano Rosas, que se recusou a sair.

Ele precisou ser retirado à força e algemado pelos policiais militares. Um vídeo divulgado por testemunhas mostra o delegado deitado no asfalto durante a prisão. Um outro delegado chegou ao local e solicitou a um tenente a retirada de Fabiano do carro, o que foi acatado. Ele foi levado ao 24º DIP.

O investigador Charles Rufino também foi preso e levado à mesma delegacia. A polícia não divulgou detalhes sobre a detenção do investigador. Ambos passaram a noite detidos no 24º DIP e participaram da audiência de custódia nesta sexta-feira (17).

Audiência de Custódia e Prisão Preventiva

Fabiano Rosas e Charles Rufino foram apresentados para audiência de custódia na sexta-feira (17), no Fórum Ministro Henoch Reis, em Manaus. O juiz responsável, acatando o parecer do Ministério Público do Amazonas (MPAM), confirmou as prisões em flagrante e as converteu em prisão preventiva.

Durante o interrogatório, os dois policiais civis optaram por permanecer em silêncio. A investigação prossegue para apurar todos os detalhes do caso de extorsão.