Zema promete firmeza após denúncia por calúnia contra Gilmar Mendes

O pré-candidato à Presidência e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou publicamente nesta sexta-feira (15 de maio de 2026) que **”não recuará 1 milímetro”**.

A afirmação foi feita em sua conta na rede social X e surge como resposta direta à denúncia por calúnia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra o ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

A ação judicial tem como base uma websérie criada por Zema, intitulada **”Os Intocáveis”**. Nesta produção, o político utiliza inteligência artificial para satirizar figuras proeminentes da política e do judiciário, representadas por fantoches.

Conteúdo da Websérie e a Denúncia

Nos vídeos que geraram a polêmica, o personagem que representa Gilmar Mendes é retratado agindo para beneficiar colegas por meio de supostas relações com o Banco Master. Essa representação, segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), ultrapassa os limites da liberdade de expressão e da crítica política.

A denúncia, encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), baseia-se no fato de que Zema possuía foro privilegiado por função na época das publicações. O procurador Paulo Gonet argumenta que os vídeos atribuem crimes ao ministro do STF, configurando o crime de calúnia, previsto no artigo 138 do Código Penal.

“O denunciado não se limitou a formular crítica institucional, paródia política ou inconformismo com decisão judicial. Ao atribuir falsamente ao ministro Gilmar Mendes a prática de corrupção passiva, fez incidir o tipo de calúnia”, detalha a denúncia, segundo informações divulgadas.

Liberdade de Expressão versus Crimes contra a Honra

O cerne da questão reside na linha tênue entre a **liberdade de expressão**, garantida pela Constituição, e a proteção da honra e da imagem de figuras públicas. A PGR entende que a websérie de Zema imputou falsamente a prática de um crime ao ministro Gilmar Mendes.

A defesa de Zema, por outro lado, provavelmente argumentará que a produção se insere no contexto da **crítica política e da sátira**, ferramentas legítimas em uma democracia para questionar o poder e as instituições.

Repercussão e Próximos Passos

A declaração de Zema de que **”não recuará 1 milímetro”** sinaliza uma postura de confronto e resistência à denúncia. O caso agora tramitará no STJ, onde será analisada a procedência da acusação de calúnia e se houve, de fato, excesso na crítica.

A decisão no STJ poderá ter implicações significativas para o debate sobre os limites da liberdade de expressão no Brasil, especialmente no ambiente político e digital, onde sátiras e críticas a figuras públicas são cada vez mais comuns e viralizam rapidamente.