A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República enfrenta um novo obstáculo: o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo reportagem do jornal britânico Financial Times publicada nesta segunda-feira (25/5), a produção, que deveria exaltar o legado do patriarca, transformou-se em uma “comédia de erros” e agora ameaça a viabilidade eleitoral do herdeiro político.

O centro da polêmica está no financiamento da obra. De acordo com revelações do site The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, um repasse total de US24milho~es(cercadeR24milhões (cerca de R$ 134 milhões à época). Desse valor, R$ 61 milhões foram liberados entre fevereiro e maio de 2025. Vorcaro, que segundo o jornal mantinhacontatos de alto nível em importantes instituições enquanto ostentava um estilo de vida luxuoso“,eˊapontadoporcrıˊticoscomoresponsaˊvelpelocolapsodeumbancodeUS 10 bilhões e é acusado de tráfico de influência.

Financial Times destaca que, antes mesmo do lançamento, “a cinebiografia em inglês [sobre Jair Bolsonaro] está se transformando em uma comédia de erros, após revelações de que Flávio Bolsonaro obteve milhões de dólares em financiamento para o filme com um suspeito de corrupção”.

Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade. Em mensagens divulgadas pelo Intercept, ele se dirige a Vorcaro com aparente proximidade, chamando-o de “irmão” e dizendo: “Estou e estarei contigo sempre”. As cobranças por repasses atrasados teriam ocorrido pouco antes da primeira prisão do banqueiro.

A reportagem britânica ressalta que, embora Jair Bolsonaro tenha sido condenado a 27 anos de prisão em setembro por planejar um golpe para se manter no poder após a derrota para Lula em 2022, ele ainda é, “em última instância, o líder da direita brasileira”. As decisões sobre a candidatura do filho, segundo analistas ouvidos pelo jornal, dependem diretamente do ex-presidente.

Paradoxalmente, o filme pode ter bom público. O ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, disse ao Financial Times que planeja promover “Dark Horse” nos Estados Unidos, acreditando no sucesso da obra junto ao movimento MAGA, devido à popularidade do ator Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro. “Se você está no Brasil e ouve falar que estão fazendo um filme sobre o seu ex-presidente, com uma grande estrela de Hollywood no elenco, esse tipo de coisa multiplica o investimento em termos de alcance. É muito melhor do que fazer comerciais de 30 segundos na TV”, afirmou Bannon.

Nesta semana, Flávio Bolsonaro deverá viajar a Washington para uma possível reunião com o presidente Donald Trump, em meio à crise que cerca sua pré-candidatura.