A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) tem adotado uma postura mais branda em relação à Sabesp após sua privatização, aplicando significativamente menos multas. Contudo, essa redução não reflete um relacionamento harmonioso, com cobranças internas e insatisfação borbulhando nos bastidores sobre a qualidade dos serviços prestados pela concessionária, especialmente em relação à recomposição asfáltica.
A dinâmica entre a Prefeitura de São Paulo e a recém-privatizada Sabesp apresenta um cenário de contrastes. Enquanto o número de multas aplicadas à concessionária de água e saneamento diminuiu consideravelmente, a insatisfação com a qualidade dos serviços, em especial a manutenção de vias públicas, persiste entre os gestores municipais. Essa abordagem diferenciada, no entanto, não se estende a outras concessionárias, como a Enel, que tem sido alvo de críticas mais contundentes por parte do prefeito.
Os dados revelam uma queda drástica na aplicação de penalidades. Em 2024, após o início da privatização em julho, a prefeitura registrou 3.568 multas, somando R$ 263,2 milhões. Já em 2025, o número despencou para 1.340 infrações, totalizando R$ 67,2 milhões. As multas são comumente aplicadas devido a buracos, crateras e obras de recomposição asfáltica que não cumprem os requisitos técnicos exigidos.
Apesar da menor rigidez nas multas, a gestão Nunes tem comunicado suas insatisfações diretamente à cúpula da Sabesp. O prefeito, inclusive, envia pessoalmente para os dirigentes da empresa, prints e links de notícias sobre acidentes causados por buracos deixados pela concessionária. Essa comunicação direta demonstra a preocupação e a cobrança por melhorias, embora mantida em caráter reservado para evitar exposição pública negativa da empresa.
Aprivatização da Sabesp, uma bandeira política importante para o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliada do prefeito, pode influenciar essa estratégia de comunicação. A prefeitura busca, ao que tudo indica, não criar atritos públicos desnecessários com a concessionária, ao mesmo tempo em que pressiona por resultados internamente.
A diferença de tratamento em relação à Enel, distribuidora de energia elétrica, é notória. A Enel é frequentemente criticada publicamente por Nunes, em contrapartida, a Sabesp, mesmo com problemas visíveis nas ruas da cidade, tem recebido uma abordagem mais discreta por parte da prefeitura. Essa distinção levanta questionamentos sobre os critérios e as prioridades na fiscalização das concessionárias.
A qualidade do saneamento básico também é um ponto de atrito. Membros da administração municipal expressam descontentamento com os serviços de saneamento oferecidos pela Sabesp, especialmente nas áreas periféricas da cidade, onde a demanda por melhorias é mais urgente. A expectativa é que a pressão interna, mesmo que discreta, resulte em ações concretas para aprimorar a infraestrutura e os serviços oferecidos à população.
A gestão municipal, ao que tudo indica, está navegando em águas delicadas, buscando equilibrar a necessidade de fiscalizar e cobrar resultados das concessionárias com a manutenção de uma relação política estratégica, especialmente considerando a importância da privatização da Sabesp para o governo estadual. A população aguarda, contudo, por melhorias tangíveis na infraestrutura urbana e nos serviços essenciais.