Líder do PT na Câmara defende manutenção da “taxa das blusinhas” e propõe mudança no discurso sobre a redução da jornada de trabalho
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), manifestou sua posição contrária à revogação da chamada “taxa das blusinhas”, que incide sobre compras internacionais feitas por e-commerce. A medida, que visa a isenção de impostos, está sendo considerada pela equipe do presidente Lula (PT) como uma forma de reverter uma decisão impopular.
A discussão sobre o fim da taxa ganha força em meio a preocupações com o endividamento das famílias brasileiras. Uczai aponta o consumo online como um dos principais fatores que contribuem para essa situação, ao lado das altas taxas de juros e do mercado de apostas esportivas. Ele acredita que a liberação das compras internacionais pode agravar o problema.
Em contrapartida, o parlamentar sugere uma reorientação na comunicação sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6×1, que trata da redução da jornada de trabalho. Segundo ele, o foco deve ser nos benefícios para a qualidade de vida, e não apenas em dias de descanso. Conforme informação divulgada pelo líder petista, o governo não terá dificuldades em aprovar a isenção no Congresso, caso opte por essa estratégia, dada a proximidade do período eleitoral.
“Taxa das blusinhas” como freio ao endividamento
Pedro Uczai argumenta que a manutenção da “taxa das blusinhas” é essencial para combater o endividamento familiar. Ele enumera “três razões para endividamento”, citando as “taxas de juros abusivas e criminosas do Banco Central, as bets e o consumo online”. Para o líder petista, a isenção de impostos sobre compras internacionais, conhecida como “taxa das blusinhas”, “aumenta o consumo e aumenta o endividamento”.
Apesar de reconhecer que o fim da taxa poderia gerar uma “satisfação momentânea”, Uczai alerta para as consequências a médio prazo. Ele defende que o país não enfrenta um problema de falta de consumo ou de crescimento econômico, e que a simples redução da taxa de juros seria suficiente para impulsionar a economia sem a necessidade de mexer nos impostos sobre compras internacionais.
Mudança de discurso na redução da jornada de trabalho
O líder do PT também propõe uma alteração na forma como a esquerda e o governo comunicam a PEC 6×1, que visa a redução da jornada de trabalho. Ele considera equivocada a expressão “dois dias para descansar”, sugerindo que a narrativa deve enfatizar os benefícios de “dois dias para viver, dois dias para ficar com os filhos, para namorar, amar, festejar”.
A bancada do PT defenderá a aplicação imediata da PEC, sem a necessidade de regras de transição. A proposta prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, extinguindo a escala de seis dias trabalhados para um de descanso. Essa mudança, segundo Uczai, visa a um ganho significativo na qualidade de vida dos trabalhadores.
Congresso receptivo à isenção de impostos
Apesar de defender a manutenção da “taxa das blusinhas”, Uczai reconhece que o governo não enfrentaria obstáculos no Congresso para aprovar a isenção, caso essa seja a decisão tomada. “Não tem ninguém que vai se opor. Estamos no período pré-eleitoral, apoiar redução de imposto pega bem para todo mundo”, afirma o deputado.
A declaração reflete a dinâmica política em Brasília, onde a redução de impostos costuma ter boa aceitação, especialmente em ano eleitoral. No entanto, a posição de Uczai evidencia um debate interno no governo sobre as prioridades e os impactos das medidas econômicas no longo prazo, especialmente no que diz respeito ao controle da inflação e ao endividamento das famílias.