Irã demarca área de controle no Estreito de Ormuz em resposta à operação militar dos EUA para garantir travessia de navios

O Irã divulgou nesta segunda-feira (4) um novo mapa do Estreito de Ormuz, apresentando “linhas vermelhas” que delimitam a área sob o domínio de suas forças militares. A ação ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma operação para auxiliar navios a atravessar a vital via marítima no Oriente Médio.

O mapa detalha duas linhas vermelhas na região, que o regime iraniano descreveu como “a nova área sob gestão e controle das Forças Armadas do Irã”. Uma linha a oeste da passagem conecta a ilha iraniana de Qeshm à costa dos Emirados Árabes Unidos, próxima a Dubai. A outra linha, ao sul de Ormuz, estende-se entre a costa norte de Omã e a costa iraniana.

Essa demonstração de força por parte do Irã surge em resposta direta ao anúncio de Trump, que declarou que o Exército americano escoltaria navios comerciais presos no Golfo Pérsico a partir da manhã de segunda-feira. Conforme informado pela agência estatal iraniana Fars, dois mísseis teriam atingido um navio de guerra dos EUA perto da ilha de Jask, após a tripulação ignorar avisos iranianos, forçando a embarcação a retornar. Washington ainda não se pronunciou oficialmente sobre o incidente.

Guarda Revolucionária do Irã ameaça e exige coordenação para travessia

Horas antes da divulgação do mapa, o Exército iraniano já havia emitido ameaças, afirmando que atacaria qualquer navio militar dos EUA que se aproximasse do Estreito de Ormuz e reiterando seu “controle total” sobre a região. Um comunicado compartilhado pela mídia estatal iraniana nesta segunda-feira indicou que a passagem de navios pela via marítima agora precisa ser coordenada com Teerã.

O general Mohseni, porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, declarou que “movimentações marítimas que contrariem os princípios anunciados pela Marinha da Guarda Revolucionária enfrentarão sérios riscos e serão detidas com firmeza”. Essa postura intensifica as tensões em uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.

Estreito de Ormuz: ponto estratégico e palco de conflito

O Estreito de Ormuz é uma passagem crucial para a economia global, por onde transita aproximadamente 20% do fluxo mundial de petróleo. Desde 28 de fevereiro, quando o conflito entre Irã e EUA/Israel se intensificou, a passagem tem estado, em grande parte, fechada pelo Irã, permitindo a travessia de apenas uma quantidade mínima de navios comerciais.

Apesar de um cessar-fogo ter sido estabelecido no início de abril, o Irã não reabriu a via marítima, contrariando os interesses dos EUA. Em retaliação e para pressionar Teerã, os Estados Unidos implementaram seu próprio bloqueio ao Estreito de Ormuz desde 13 de abril, redirecionando 48 navios ligados ao regime iraniano, segundo dados do Exército americano.

“Projeto Liberdade” dos EUA visa garantir fluxo comercial

A nova iniciativa americana, denominada “Projeto Liberdade”, tem como objetivo declarado “libertar pessoas, empresas e países que seriam vítimas das circunstâncias” do bloqueio na passagem, conforme explicado por Trump. O líder americano também advertiu que “se, de alguma forma, esse processo humanitário for interferido, essa interferência, infelizmente, terá que ser combatida com firmeza”.

No domingo, o Irã também anunciou ter recebido uma resposta dos EUA à sua mais recente proposta para encerrar a guerra. A mídia estatal iraniana informou que estava analisando a resposta de Washington à sua proposta de 14 pontos, enviada através do mediador Paquistão, adicionando mais uma camada de complexidade à já tensa situação.