Flávio Bolsonaro exonera assessor após revelação de demissão por assédio sexual na Caixa Econômica Federal

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demitiu nesta semana Celso Leonardo Barbosa, que ocupava o cargo de assessor parlamentar em seu gabinete desde junho de 2025. A exoneração ocorreu após a imprensa questionar a permanência de Barbosa, que havia sido previamente demitido da Caixa Econômica Federal em 2022, em meio a acusações de assédio sexual.

Celso Leonardo Barbosa recebia um salário mensal de R$ 20,7 mil como assessor parlamentar. A decisão de desligamento foi tomada após a Folha de S.Paulo procurar o gabinete do senador para comentar as informações. Flávio Bolsonaro declarou, em nota, que as revelações eram “extremamente graves e incompatíveis com a conduta exigida de qualquer integrante da equipe parlamentar”.

O ex-dirigente da Caixa não foi localizado para comentar as acusações. Ao ser procurado por telefone, ele não estava em seu gabinete e não respondeu às tentativas de contato subsequentes. A situação expõe a **complexidade na seleção de pessoal** e a importância da **transparência** em órgãos públicos e gabinetes de parlamentares.

Histórico de Acusações e Processos

Celso Leonardo Barbosa foi vice-presidente da Caixa Econômica Federal e considerado um homem de confiança do ex-presidente do banco, Pedro Guimarães. Ele permaneceu na instituição de 2019 a 2022, ano em que foi demitido pouco depois de Guimarães, que também deixou o cargo sob alegações de assédio sexual. A saída de ambos gerou grande repercussão.

Conforme apurado pela reportagem, Celso Leonardo celebrou um acordo de não persecução penal com a Justiça no processo de assédio, admitindo culpa e prestando serviços comunitários. Uma funcionária do banco relatou ter se sentido assediada por ele durante uma viagem do programa Caixa Mais Brasil a Goiás.

Adicionalmente, em entrevista ao Fantástico em 2022, uma servidora do banco acusou Celso Leonardo de ter acobertado abusos cometidos por Pedro Guimarães na instituição. O ex-dirigente também enfrenta um processo no Ministério Público Federal (MPF) por falsidade ideológica, sob a alegação de ter inserido informações inverídicas em documentos para sua indicação ao cargo de vice-presidente da Caixa.

Ocultação de Informações e Atividades Particulares

Flávio Bolsonaro afirmou que Celso Leonardo “omitiu da chefia imediata pendências judiciais relevantes”. Além disso, o senador destacou que o ex-assessor “infringiu de forma grave as normas do Senado Federal ao exercer atividades particulares durante o horário de expediente”. O gabinete ressaltou que “não compactua com qualquer desvio de conduta, abuso de confiança ou descumprimento das obrigações funcionais”.

De acordo com seu próprio currículo, Celso Leonardo acumulava o cargo de assessor parlamentar com o de professor na Fundação Dom Cabral, uma instituição particular de ensino. Em suas redes sociais e em sua página na internet, ele se definia como “professor, palestrante, mentor, autor, investidor anjo e especialista em gestão, estratégia, inovação, IA e empreendedorismo”, omitindo sua função no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Sua página na internet também não mencionava sua passagem pela Caixa, apenas indicava que, desde 2020, era professor na Fundação Dom Cabral, sem citar o cargo de vice-presidente no banco público. A Fundação Dom Cabral informou, em nota, que Celso Leonardo “está credenciado como professor convidado eventual, sem vínculo empregatício”. A instituição também declarou que sua participação em atividades futuras “encontra-se em reavaliação interna”.

Atividades Paralelas Durante Expediente

Celso Leonardo postava em suas redes sociais e em sua página na internet diversas atividades, como palestras e aulas, que ocorriam em horários de expediente. Algumas dessas atividades eram realizadas fora de Brasília, onde ele deveria cumprir suas funções no gabinete do senador.

Exemplos incluem a participação em um curso do Senac em Mato Grosso do Sul nos dias 22 e 23 de abril, uma segunda-feira, em que participou da conferência Futuro do Empreendedorismo no Rio de Janeiro, e em 4 de dezembro do ano passado, uma quinta-feira, quando esteve em São Paulo para a palestra “Inteligência Artificial na Gestão Empresarial”. Essas atividades levantaram questionamentos sobre o **cumprimento de suas obrigações como assessor parlamentar** e a **fiscalização de suas atividades**.