Festival de Parintins: Um Glossário Essencial para Entender a Magia do Boi-Bumbá
O Festival de Parintins, que se aproxima com os dias 26, 27 e 28 de junho, é um espetáculo cultural de tirar o fôlego. Milhares de pessoas se reúnem na ilha amazonense para celebrar a rivalidade entre os bois-bumbá, Boi Garantido e Boi Caprichoso.
Para quem acompanha ou deseja mergulhar nesse universo, entender o vocabulário é fundamental. Termos como ‘cunhã-poranga’, ‘brincante’, ‘galera’ e ‘contrário’ são mais do que palavras, são elementos que contam a história e a identidade amazônica dentro e fora da arena.
Pensando em facilitar a imersão dos apaixonados pela festa, o g1 compilou um glossário com as expressões mais usadas. Conhecer esses termos enriquece a experiência e permite compreender a paixão que move o festival, conforme divulgado pelo portal. Agora, vamos desvendar o significado de cada um.
A Lenda do Boi-Bumbá e Seus Protagonistas
A base do festival é o auto do boi, uma encenação que narra a lenda da negra Mãe Catirina. Grávida, ela deseja a língua do boi favorito da filha do fazendeiro. Seu marido, Pai Francisco, mata o animal, mas o pajé o ressuscita, culminando em uma grande celebração.
O Amo do Boi é o cantor e compositor que exalta seu boi e desafia o adversário. Ele também representa o dono da fazenda e o pai da Sinhazinha.
A ‘cunhã-poranga’ é a moça que conduz o estandarte do boi, simbolizando a tradição e a sabedoria indígena. Já a Sinhazinha da Fazenda representa a filha do amo, trazendo simplicidade e alegria à apresentação.
Os Corações Azuis e Vermelhos da Torcida
No Festival de Parintins, os torcedores são chamados de ‘brincantes’. Na região, essa é a forma de se referir ao folião do Boi-Bumbá. A torcida organizada do Boi Caprichoso é conhecida como Força Azul e Branca (FAB), fundada em 21 de janeiro de 1997.
Para o Boi Garantido, os torcedores são os ‘encarnados’, um termo que se refere à cor vermelha do boi. O apelido deriva da expressão ‘pé rachado’, ressignificada pelos fãs. A torcida do Boi Caprichoso é frequentemente chamada de ‘galera’.
A rivalidade é tanta que os torcedores evitam pronunciar o nome do boi adversário, chamando-o de ‘contrário’. Os bois em disputa são o Boi Garantido, com suas cores vermelha e branca, e o Boi Caprichoso, azul e branco.
Os Palcos da Emoção: Bumbódromo e Currais
Toda a magia acontece no Bumbódromo, a arena que recebe até 15 mil pessoas. Cada boi possui seu espaço de preparação e ensaios. O Complexo Cordovil abriga o curral do Boi Garantido, enquanto o Curral Lindolfo Monteverde é o espaço do Boi Caprichoso.
Os grupos musicais de cada boi também têm nomes próprios. O Batucada é o grupo musical do Boi Garantido, enquanto o Marujada de Guerra anima o Boi Caprichoso, com ambos os grupos ditando o ritmo e a cadência das toadas, as músicas do festival.
Itens e Personagens que Encantam
O festival é avaliado por 21 itens, que incluem desde personagens até performances. Entre eles, destacam-se o Pajé, autoridade máxima nas aldeias indígenas e figura central na ressurreição do boi; a Rainha do Folclore, representante da manifestação popular; e os Guardiões dos Bois, grupo folclórico que zela pelos animais.
Outros termos importantes são o ‘brincante’, que se refere a qualquer pessoa envolvida na festa, seja torcedor ou artista. O levantador de toadas é o cantor principal que interpreta as músicas, e os ‘ferreiros’ e ‘marujos’ são os trabalhadores responsáveis pela montagem e transporte das alegorias.
A cultura amazônica é rica em lendas e personagens. O Mapinguari, protetor da floresta com cabelos ruivos e pés invertidos, e a Sucurijú, uma figura lendária de cobra gigante, são exemplos de elementos folclóricos que inspiram o festival, conforme informações divulgadas pelo g1.