Um terremoto político atingiu o clã Bolsonaro com o vazamento de áudios e mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material revela uma relação de profunda intimidade, com o senador tratando o empresário como “irmão” e enviando vídeos de visualização única para tratar de assuntos sensíveis. A Polícia Federal agora analisa se essa proximidade cruzou a linha da legalidade, especialmente pelo timing das conversas, que ocorreram pouco antes de Vorcaro se tornar alvo de operações por fraudes financeiras.

O ponto central da controvérsia é a cobrança de um “patrocínio” astronômico: R$ 134 milhões (cerca de US$ 24 milhões). Segundo as mensagens, o montante seria destinado ao financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia que pretende contar a trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio pressionava Vorcaro por “uma luz” sobre o repasse, enquanto o banqueiro, mesmo sob o radar de investigações bilionárias, mantinha o canal aberto com o filho do ex-presidente, prometendo apoio ao projeto cinematográfico.

A defesa do senador sustenta que as conversas tratavam estritamente de um investimento privado e cultural, sem qualquer uso de dinheiro público ou irregularidade. No entanto, o tom das mensagens sugere um compromisso que vai além do empresarial. Em um dos trechos mais comprometedores, Flávio assegura lealdade irrestrita ao banqueiro, afirmando: “Estou e estarei contigo sempre”. Para os investigadores, essa promessa de apoio político a um empresário sob suspeita levanta dúvidas sobre possíveis contrapartidas.

O caso ganha gravidade por ter sido remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro André Mendonça. A PF investiga se o projeto do filme serviu como fachada para lavagem de dinheiro ou se houve tráfico de influência para beneficiar o Banco Master em instâncias governamentais. A apreensão do celular de Vorcaro foi o estopim para que esses diálogos viessem à tona, revelando um bastidor de Brasília onde grandes cifras e interesses familiares se misturam de forma perigosa.

Politicamente, o impacto é imediato e pode paralisar as pretensões eleitorais de Flávio para os próximos anos. Com a oposição explorando o “viva-voz” das negociações milionárias, o senador se vê forçado a explicar como um projeto cultural de nicho demandaria um valor tão elevado de um único financiador em apuros com a justiça. Enquanto o processo avança no STF, o “videozinho” e os áudios vazados permanecem como provas centrais de uma conexão que o clã Bolsonaro agora tenta, sem sucesso, desmentir.