O Butão se abre de forma inédita para o turismo global com a construção de um novo aeroporto e uma cidade inovadora em Gelephu, prometendo maior acessibilidade ao reino asiático.

O rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck liderou o início das obras de um ambicioso projeto em Gelephu, cidade estratégica próxima à fronteira com a Índia. Um novo aeroporto internacional, com inauguração prevista para 2029, e a visionária Gelephu Mindfulness City, são os pilares dessa nova fase para o turismo butanês.

O Aeroporto Internacional de Gelephu, que já ganhou o prêmio de Projeto do Futuro do Ano no Festival Mundial de Arquitetura de 2025, terá um terminal de madeira sustentável, projetado para se integrar à paisagem montanhosa e oferecer espaços para bem-estar. O objetivo é servir como porta de entrada para o país, facilitando o acesso a um dos destinos mais remotos e culturalmente preservados do mundo.

Essa iniciativa, conforme divulgado pela BBC Travel, visa não apenas impulsionar a economia local, mas também diversificar o turismo, levando visitantes para além dos tradicionais roteiros do oeste do Butão e explorando a rica biodiversidade do sul do país.

Um Novo Capítulo para o “Alto Valor, Baixo Volume”

Por décadas, o Butão adotou a política de “Alto Valor, Baixo Volume” para proteger sua cultura e meio ambiente. Até recentemente, turistas estrangeiros pagavam uma tarifa diária mínima substancial, que incluía a maioria dos custos da viagem. Desde 2022, o modelo foi ajustado com uma Taxa de Desenvolvimento Sustentável de US$ 100 por adulto, por noite, permitindo maior flexibilidade nos gastos.

Apesar da abertura para maior fluxo turístico com o novo aeroporto, o Butão reafirma seu compromisso com um turismo controlado e de alta qualidade. O objetivo é garantir que o desenvolvimento turístico não comprometa a identidade cultural e a serenidade do reino, mantendo seu fascínio como destino exclusivo.

Gelephu: Um Polo de Inovação e Natureza

A Gelephu Mindfulness City é um projeto audacioso que pretende transformar a região em um centro econômico e turístico. O rei Jigme Khesar Namgyel Wangchuck idealizou a cidade há mais de uma década, e a pandemia de Covid-19 serviu como catalisador para acelerar o desenvolvimento.

A cidade contará com incentivos para empresas focadas em sustentabilidade e espiritualidade, buscando gerar empregos e atrair investimentos. A expectativa é que Gelephu se torne um ponto de conexão para turistas internacionais, oferecendo experiências únicas como safáris na selva e retiros de meditação, diferentemente do que se encontra no oeste do país.

A região de Gelephu, no sul do Butão, é caracterizada por uma paisagem subtropical exuberante, com plantações de cardamomo, laranjeiras e rios. O Royal Manas National Park, adjacente à cidade, é um santuário para espécies ameaçadas, incluindo elefantes, tigres e rinocerontes, além de abrigar mais de 360 espécies de aves.

O Futuro do Turismo Butanês: Espiritualidade e Aventura

O novo aeroporto de Gelephu também visa atrair praticantes de trekking e ecoturismo. A trilha Lotus-Born Trail, com 168 km, conectará o sul subtropical ao coração espiritual do Butão, oferecendo uma jornada de oito dias por paisagens diversas.

Atividades como rafting, observação de aves e trilhas para observação de tigres serão oferecidas, complementadas por hospedagens familiares e acampamentos ecológicos. A revitalização do Centro Histórico de Gelephu também trará um foco gastronômico, celebrando a diversidade cultural do sul do país com pratos tradicionais e influências locais.

O Butão, famoso por sua filosofia de “Felicidade Interna Bruta”, aposta em Gelephu para criar um futuro próspero e sustentável. “Temos a oportunidade de tentar coisas novas”, afirmou o rei à BBC Travel. “Espero que esse trabalho gere benefícios para as próximas gerações.”