Detentos da Penitenciária de Barinas Protestam no Telhado Contra Abusos e Violência

Um protesto dramático tomou conta do telhado da penitenciária de Barinas, no oeste da Venezuela, no último domingo (24). Detentos empilharam colchões em chamas e exigiram a destituição do diretor da prisão, alegando que ele supervisionou guardas em atos de violência contra os encarcerados.

Em vídeos divulgados pelo Observatório Venezuelano de Prisões, uma ONG local, um preso aparece com um ferimento de bala visível no peito, clamando por justiça. Os detentos afirmam que o protesto era pacífico quando funcionários da prisão abriram fogo, resultando em feridos. As autoridades venezuelanas ainda não comentaram oficialmente os acontecimentos.

As denúncias incluem a proibição de visitas, confisco de roupas e pressão para o envolvimento com tráfico de drogas, além da violência direta. O Observatório Venezuelano de Prisões está documentando os eventos e relatando a situação a organizações internacionais de direitos humanos, em meio a um cenário já sob escrutínio global devido às condições das prisões venezuelanas.

Demandas por Justiça e Destituição do Diretor

Os detentos exigiram a saída imediata de Elvis Macuare Guerrero, o diretor recém-nomeado da penitenciária de Barinas. Segundo os relatos, Guerrero teria ordenado que os guardas atirassem contra os presos desarmados, em um ato de repressão brutal contra as reivindicações pacíficas dos encarcerados.

As condições de vida dentro da prisão foram detalhadas pelos presos, que afirmam ter tido suas roupas confiscadas e estarem sendo coagidos a participar de atividades ilícitas, como a venda de drogas. Além disso, a proibição de receber visitas agrava ainda mais a situação de isolamento e desespero.

Confronto Externo e Preocupação Familiar

Do lado de fora da penitenciária, familiares dos detentos entraram em confronto com agentes da Guarda Nacional, que utilizavam escudos antimotim. As famílias tentaram, sem sucesso, impedir a entrada dos oficiais, relatando à ONG que ouviram gritos e explosões minutos após a intervenção.

A presença da Guarda Nacional e a violência reportada aumentam a preocupação com a segurança e o bem-estar dos presos. A ONG continua a monitorar a situação e a coletar evidências para futuras denúncias internacionais.

Contexto de Escrutínio Internacional e Liberações

O protesto em Barinas ocorre em um momento em que as prisões venezuelanas estão sob intenso escrutínio internacional. Recentemente, o governo interino de Delcy Rodríguez aprovou uma lei que visa libertar centenas de pessoas consideradas presas políticas, em uma tentativa de responder às críticas sobre direitos humanos.

No entanto, a situação em Barinas sugere que os problemas de violência e abuso dentro do sistema prisional persistem. Em janeiro, os Estados Unidos criticaram o governo de Nicolás Maduro, indicando a contínua tensão diplomática e as preocupações globais com a governança e os direitos humanos na Venezuela.