Boi Caprichoso quebra barreiras e anuncia primeira Tuxaua trans para o Festival de Parintins
O Boi-Bumbá Caprichoso acaba de escrever um novo capítulo em sua trajetória de inovação e inclusão. A agremiação azul e branca anunciou Lup Moara como a primeira mulher trans a assumir o item Tuxaua no Festival de Parintins. A estreia acontecerá na arena do Bumbódromo em 2026, um marco histórico para o festival e para a representatividade LGBTQIAPN+ na rica cultura popular amazônica.
A escolha de Lup Moara para um item que simboliza liderança, força e ancestralidade indígena é vista como um reforço significativo à jornada do Caprichoso na valorização da diversidade. A artista, torcedora do boi desde a infância, expressou imenso orgulho e considerou a conquista um triunfo coletivo.
Segundo informações divulgadas pelo Caprichoso, Lup Moara destacou o impacto de sua nomeação para a comunidade trans. “Ser a primeira mulher trans a assumir o item Tuxaua mostra que o Caprichoso, mais uma vez, faz história e inova dentro do Festival de Parintins. É muito satisfatório poder contribuir de forma ainda mais forte dentro do meu boi”, afirmou a artista.
Trajetória de Arte e Inclusão no Caprichoso
A relação de Lup Moara com o Boi Caprichoso remonta à infância, com sua passagem pela Escolinha de Arte do boi. Sua trajetória é marcada pela participação no Corpo de Dança Caprichoso (CDC) e por diversas manifestações culturais da ilha, demonstrando um profundo envolvimento com a agremiação.
Antes de assumir o emblemático item Tuxaua, Lup acumulou experiências importantes. Ela foi Rainha das Flores nas Pastorinhas, atuou em bois mirins e brilhou como Porta-Estandarte e Cunhã-Poranga do Boi-Bumbá Rasgadinho, uma agremiação folclórica historicamente ligada à comunidade LGBTQIAPN+ de Parintins.
Da Criação de Figurinos ao Coração do Espetáculo
Além de suas atuações como artista performática, Lup Moara também construiu uma sólida carreira nos bastidores do Caprichoso, especialmente na criação de figurinos. Seu trabalho na área de indumentárias para os espetáculos começou em 2018, evoluindo para a criação e produção diretamente para as apresentações na arena a partir de 2020.
Reconhecida por sua estética inovadora e pela forma como valoriza as tradições amazônicas em suas criações, Lup Moara agora assume um dos papéis mais simbólicos do Festival de Parintins. Sua ascensão como a primeira mulher trans a ocupar o posto de Tuxaua é um passo importante para a representatividade e a diversidade na maior festa folclórica da Amazônia, fortalecendo a imagem do Boi Caprichoso como um agente de transformação cultural.