Fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, é investigado por manter “caixa paralelo” milionário com gastos em bens de luxo e repasses suspeitos.

Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) apontam que Daniel Vorcaro, o fundador do Banco Master, teria operado um **”caixa paralelo”** com movimentações financeiras que alcançam até **R$ 114,6 milhões**. Esses recursos teriam sido utilizados para cobrir gastos vultosos em aquisição de aeronaves, imóveis e obras de arte, além de repasses a terceiros.

As descobertas baseiam-se em **planilhas de despesas** detalhadas, as quais foram analisadas pelos investigadores da PF. Esses documentos contábeis, segundo reportagem do jornal O Globo, foram enviados por Vorcaro a seu cunhado, Fabiano Zettel, e a Ana Cláudia Paiva, ambos descritos pela PF como **”operadores financeiros”** do empresário.

Conforme as informações que constam nos relatórios de inteligência da PF, os repasses suspeitos incluíam um montante de **R$ 1 milhão destinado a Luiz Phillipi Machado Mourão**, indivíduo conhecido pelo apelido de “Sicário”. A investigação busca esclarecer a origem e o destino desses recursos, bem como a natureza das transações.

Repasses a “Sicário” e “longa manus” de Vorcaro

As planilhas analisadas pela PF revelam que Vorcaro utilizava a expressão **”faz 1 mm Sicário”** ao dar instruções para pagamentos a Mourão. Em outra comunicação, o empresário enfatizou a importância de não falhar com o destinatário dos repasses, o que, segundo a PF, demonstra a relevância do indivíduo para as operações.

Em uma das conversas interceptadas e citadas nos relatórios, Fabiano Zettel expressou que “Sicário está mais chato”. Diante disso, a PF apurou que Vorcaro instruiu seu cunhado a **continuar remunerando Mourão**, a quem ele se referia como seu **”longa manus”**, uma expressão latina que significa “minha mão estendida”, indicando um braço direito ou alguém que executa suas vontades.

Gastos vultosos com arte, aeronaves e imóveis sob escrutínio

Os relatórios de inteligência da PF também detalham pagamentos significativos a **duas galerias de arte localizadas em São Paulo**, totalizando a quantia de **R$ 29,8 milhões**. Além disso, as planilhas registravam despesas relacionadas a **”aeronaves”** no valor de **R$ 11,8 milhões**.

A investigação da PF avança para apurar se Daniel Vorcaro utilizava **obras de arte como forma de lavagem de dinheiro** e se as viagens em jatinhos particulares serviam como retribuição de favores a agentes políticos. Parte dos repasses em questão teria sido realizada através da **Super Empreendimentos S.A.**, empresa que contava com Fabiano Zettel e Ana Cláudia Paiva como diretores na época.

As planilhas contábeis sob análise da PF cobrem um período específico, abrangendo despesas realizadas nos meses de março, abril, junho, julho e agosto do ano de 2025. O caso ganha contornos ainda mais sérios com a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Desfechos e diligências na investigação

O cenário se adensa com a notícia de que Luiz Phillipi Machado Mourão, o “Sicário”, **faleceu na prisão** após sofrer ferimentos decorrentes de uma tentativa de suicídio. Ana Cláudia Paiva, por sua vez, foi alvo de um mandado de busca e apreensão pela PF. Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre o conteúdo dos relatórios, e tentativas de contato com os demais citados não obtiveram êxito.