Esquema de Agiotagem no AM: Militares e Empresas de Fachada Movimentaram R$ 150 Milhões em Extorsão
Um complexo esquema de agiotagem, que envolvia empréstimos com juros exorbitantes, ameaças e a tomada de bens de vítimas, foi desarticulado pela Polícia Civil do Amazonas na segunda fase da Operação Tormenta. A investigação revelou a atuação integrada de diferentes grupos criminosos, criando um ciclo vicioso de dívidas e extorsão.
A operação aponta para a participação de um tenente da Aeronáutica, Caique Assunção dos Santos, como líder de um dos núcleos do esquema. Ele é acusado de manter conexões com outros grupos, que, em conjunto, teriam movimentado expressivos R$ 150 milhões. A principal modalidade de atuação consistia na oferta de empréstimos clandestinos com juros que podiam ultrapassar 50% ao mês.
As vítimas preferenciais eram, em sua maioria, servidoras públicas, especialmente mulheres que atuam em órgãos como o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM). Após a liberação do dinheiro, iniciava-se a fase de cobrança, marcada por pressões constantes, ameaças e a apreensão de bens como carros, joias, eletrônicos e até imóveis, conforme detalhado em informações divulgadas pela Polícia Civil.
Ciclo de Dívidas e Extorsão Mantido pelo Repasse entre Grupos
Um dos mecanismos centrais do esquema criminoso era o **repasso de dívidas entre diferentes grupos de agiotas**. Quando um núcleo enfrentava dificuldades na cobrança, a dívida era transferida para outro grupo, que intensificava as ameaças e aplicava novos juros, garantindo a continuidade do ciclo de endividamento e extorsão das vítimas.
A polícia apurou que as cobranças eram acompanhadas de **ameaças severas**, incluindo intimidações de morte e sequestro de familiares. Áudios obtidos pela Rede Amazônica, na primeira fase da operação, revelaram um suspeito ameaçando sequestrar o filho de uma vítima que havia contraído um empréstimo de R$ 5 mil, o qual evoluiu para valores muito superiores, levando à perda de dois imóveis e um carro.
Empresas de Fachada e Ocultação de Valores
Mesmo com a prisão de alguns integrantes, o esquema demonstrava resiliência, com membros remanescentes atuando como intermediários para manter as cobranças e ameaças. Para **ocultar a origem ilícita dos valores**, o grupo utilizava empresas de fachada. Pelo menos seis dessas empresas tiveram bloqueios financeiros na nova fase da operação.
Uma das empresas ligadas a investigados da primeira etapa movimentou mais de R$ 3,3 milhões, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ao todo, cinco pessoas foram presas na segunda fase da Operação Tormenta, incluindo o tenente da Aeronáutica. Outros seis suspeitos seguem foragidos.
Prisões e Foragidos da Operação Tormenta
Foram detidos, além do tenente Caique Assunção dos Santos, outros quatro suspeitos: Ronan Benevides Freire Massulo, Alexsandro Carneiro Capote, Carlos Augusto da Silva Freitas e Dionas Pereira de Souza. Com o militar, foram apreendidos arma de fogo, munições, documentos, equipamentos eletrônicos e um veículo.
A Polícia Civil segue na busca por seis investigados que permanecem foragidos: Igor Francys Costa do Cazal, conhecido como “Alemão”; Francisco Miguel Ferreira Neto; Gilmar Silva de Souza; Bruno Luan Oliveira Vasquez; Gustavo da Silva Albuquerque; e Marco Aurélio de Morais Pinheiro Júnior. Os envolvidos podem responder por crimes como associação criminosa, agiotagem, extorsão, roubo majorado, falsidade ideológica, porte ilegal de arma de fogo e lavagem de dinheiro.