Empresa do setor alimentício é condenada por explorar adolescente venezuelano em condições análogas à escravidão no Amazonas.
Uma decisão judicial chocante determinou que uma empresa de alimentos no Amazonas pague mais de R$ 470 mil por submeter um adolescente venezuelano a **trabalho infantil e em condições semelhantes à escravidão**. O caso, que corre em segredo de justiça, expõe uma realidade cruel enfrentada por jovens imigrantes.
O adolescente, que iniciou sua jornada de trabalho aos 14 anos, atuou na produção e em entregas entre 2022 e 2025, **sem qualquer registro em carteira**. Durante esse período, ele manuseava ferramentas cortantes e cumpria jornadas irregulares, evidenciando a exploração.
As provas apresentadas, incluindo fotos, vídeos e depoimentos de testemunhas, foram cruciais para a condenação. A Justiça considerou as **condições desumanas** e a relação de dependência criada pela empresa. As informações são da 4ª Vara do Trabalho de Manaus, conforme divulgado.
Condições degradantes e dependência familiar
O juiz Gerfran Carneiro Moreira, da 4ª Vara do Trabalho de Manaus, destacou em sua decisão que o imóvel onde o adolescente e sua família residiam, cedido pela empresa, **não possuía infraestrutura básica**, como água encanada e energia elétrica. Essa situação criava um forte laço de dependência entre os trabalhadores e os empregadores.
Assédio moral e tentativa de ocultação
Além das condições de trabalho precárias, o processo revelou que o jovem era **vítima de assédio moral**, sofrendo ofensas e humilhações constantes por parte de um superior. Durante uma fiscalização no local, a empresa teria tentado esconder a presença do adolescente, demonstrando má-fé.
Direitos trabalhistas e danos morais a serem pagos
A condenação abrange o pagamento de todos os **direitos trabalhistas não cumpridos**, como férias e 13º salário, além de uma indenização significativa por danos morais. A gravidade dos fatos motivou o encaminhamento do caso ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração de possíveis crimes.
Decisão cabe recurso, mas expõe grave violação de direitos
Embora a decisão ainda possa ser contestada em instâncias superiores, o caso serve como um alerta sobre a **vulnerabilidade de imigrantes jovens** no mercado de trabalho e a necessidade de fiscalização rigorosa para prevenir a exploração e o trabalho análogo à escravidão. A empresa terá que arcar com as consequências de suas ações.