Ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou em mensagem a Fábio Faria que ACM Neto o visitou em sua residência. O encontro teria ocorrido em maio de 2024, período em que o Banco Master e seus sócios são investigados por movimentações financeiras suspeitas.

Uma troca de mensagens via WhatsApp entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o empresário Fábio Faria, ex-ministro de Jair Bolsonaro, revela que o pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil-BA), visitou a casa de Vorcaro em maio de 2024. As conversas foram obtidas pela CPI mista do INSS e entregues à comissão pela Apple, que armazenava as imagens.

Na ocasião, Vorcaro informou a Faria: “Mas está tudo certo. Estou indo para Brasília. Amanhã acho que assina Augusto. ACM foi lá em casa”. Faria respondeu com um simples “Bom demais”. A data registrada para essa conversa é 22 de maio de 2024, um período de intensas investigações sobre o Banco Master.

As informações foram divulgadas em um momento delicado para ACM Neto, cujo grupo empresarial, a A&M Consultoria Ltda, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag, gestora de recursos sob suspeita de envolvimento com o crime organizado. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que a empresa movimentou valores expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada, entre março de 2023 e maio de 2024.

ACM Neto nega irregularidades e defende prestação de serviços

Procurado para comentar as conclusões do Coaf, ACM Neto afirmou, por meio de sua assessoria, que a A&M Consultoria prestou serviços de análise da agenda político-econômica nacional. Ele negou qualquer tipo de irregularidade e declarou que, no período do contrato, não havia informações que desabonassem o Banco Master e a Reag.

Augusto Lima e a saída do Banco Master em maio de 2024

A data da conversa entre Vorcaro e Faria, maio de 2024, coincide com o período em que Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro desde 2020, afirma ter deixado suas funções executivas no Banco Master. Lima, que ganhou projeção com o Credcesta, um cartão consignado para servidores públicos, declarou após ser preso na Operação Compliance Zero, em novembro, que já estava desligado do banco em maio de 2024 e que as operações investigadas eram posteriores à sua saída.

Associações de servidores baianos e repasses ao BRB sob investigação

O caso ganha novas camadas com a informação de que associações de servidores da Bahia, que teriam originado carteiras falsas de crédito consignado repassadas pelo Master ao BRB (Banco de Brasília), informaram à Receita Federal os contatos do grupo empresarial de Augusto Lima. Essa conexão aponta para uma rede complexa de operações financeiras envolvendo servidores públicos.

Silêncio das partes envolvidas

A defesa de Daniel Vorcaro optou por não se pronunciar sobre o caso. ACM Neto, por meio de sua assessoria, também não respondeu aos questionamentos da reportagem. A defesa de Augusto Lima não foi contatada pela reportagem. Fábio Faria, por sua vez, declarou que não quis se manifestar sobre o assunto.