Há 12 anos, Manaus viveu uma noite de terror com um grave acidente entre um micro-ônibus e um caminhão. A colisão, que resultou na morte de 16 pessoas, deixou marcas indeléveis na memória da capital amazonense. Mesmo após mais de uma década, familiares das vítimas e sobreviventes ainda lidam com as consequências físicas e emocionais da tragédia.
A colisão aconteceu em 28 de março de 2014, em um horário de pico na Avenida Djalma Batista. Um caminhão perdeu o controle, invadiu a contramão e atingiu em cheio um micro-ônibus lotado. O trânsito intenso e a complexidade do resgate agravaram a situação, tornando o episódio um dos mais marcantes e dolorosos da história de Manaus.
Ao longo dos anos, o caso se tornou um símbolo da imprudência no trânsito e da importância de medidas de segurança. As histórias de quem perdeu entes queridos e de quem sobreviveu com sequelas revelam a força da resiliência humana diante da adversidade. O g1 conversou com familiares e sobreviventes para relembrar os ecos desta tragédia.
Roseana Araújo, filha de Sebastião Araújo, uma das vítimas fatais, compartilhou a dor que a família ainda sente. “Não importa quanto tempo passe, ainda dói. Dói não ter meu ‘painho’ perto, dói não ter acompanhado nossa vida”, relatou Roseana. Ela expressou gratidão pelo pai e a força que ele representa para a família continuar lutando.
Gisele Costa, que era cobradora do micro-ônibus, é uma das sobreviventes e carrega as marcas daquele dia. Ela sofreu **ferimentos graves**, incluindo fraturas e traumatismo craniano, ficando em coma por 10 dias e passando por sete cirurgias. “Ainda carrego as marcas físicas e emocionais”, confessou Gisele, descrevendo a noite como um dos momentos mais difíceis de sua vida.
Ela destacou a dor das famílias que perderam parentes e classificou o acidente como resultado de **imprudência**. Gisele também reforçou a necessidade de **mais fiscalização e segurança no trânsito** para evitar que outras tragédias como essa se repitam.
Laudos periciais, conforme divulgado pelo g1, indicaram que o motorista do caminhão havia consumido **álcool e cocaína** antes da colisão. Os exames **descartaram falhas mecânicas** no veículo. A velocidade do caminhão estava entre 80 e 90 km/h, acima do limite permitido na via, que era de 60 km/h.
O documento oficial do Instituto de Perícia da Polícia Civil do Amazonas, divulgado em abril de 2014, apontou a **alta velocidade do caminhão** como causa determinante do acidente. O condutor desenvolveu velocidade acima do limite estabelecido pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Na época, a Prefeitura de Manaus decretou luto oficial de três dias. Meses depois, o local recebeu grades de proteção e sinalização para evitar novas colisões. Em 2018, foi inaugurado um memorial em homenagem às vítimas. O Complexo Viário 28 de Março, na Avenida Torquato Tapajós, também recebeu o nome em referência à data da tragédia.
Doze anos depois, a lembrança do acidente de micro-ônibus e caminhão em Manaus continua mobilizando familiares e reforçando o alerta sobre os riscos da **imprudência no trânsito**, um eco que ressoa na memória da cidade.